sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Murugan முருகன்

Murugan Valli Devasena


Templo Tiruchendur




Murugan Batu caves







Batu Caves




Murugan ou Skanda ou Karttikeya ou Subramaniam, é o deus da guerra e filho de Shiva, apesar de conhecido por todos hindus tem seu culto mais forte no Sul da Índia, principalmente entre os tamis (povo de lingua tamil de Tamil Nadu, Sri Lanka, Mauricios e Sudeste Asiático).
Irmão mais jovem de Ganesha é sempre jovem e monta o pavão. Tem como arma principal e símbolo um Vel ou lança.
A história do seu nascimento é interessante, após a morte de Sati ,Shiva foi para Kailasha meditar e ficou imóvel (Sthanu um dos nome s de Shiva) por muitos anos, neste período Sati renasceu como filha do deus dos Himalayas Himavan, e por isso foi chamada de Parvati ou filha da montanha.
Nesta época apareceu um demônio chamado Taraka que só poderia ser morto por um filho de Shiva, mas Shiva não queria saber de nada nem ninguém e Parvati tentava de toda forma chamar Sua atenção. Então os deva decidiram pedir a ajuda de Kamadeva (o deus do “amor”) e este atirou uma flecha em Shiva que estava sentado em meditação para que Shiva se apaixonasse por Parvati, mas quando a flecha atingiu seu alvo Shiva apenas abriu seu terceiro olho e reduziu Kamadeva a cinzas.
Após muita devoção e penitencias Parvati conseguiu atrair a atenção de Shiva. E o divino casal começou o jogo de amor de durou muitos anos e os devas diziam:”Se não quebrarmos a concentração de Shiva ele nunca soltará sua semente para que nasça um filho”, assim Indra tomou a forma de um pombo e voou entre o casal quebrando a concentração do grande Deus e fazendo com que Shiva soltasse sua semente que era toa quente que nem Agni, o deus do fogo, conseguia carregar.
Ganga (a Deusa do Ganges) então pegou o sêmen de Shiva em suas águas e o levou até o foz do Ganges e o dividiu por seis canais de onde surgiram seis crianças que foram retiradas da água e alimentadas pelas Krittika( as estrelas Pleiades) de onde vem o nome Karttikeya que depois foram unidas por Parvati em uma criança de seis cabeças.
Murugan cresceu e se tornou o general dos devas que com seus exércitos conseguiram a vitória sobre o demônio Taraka e seus exércitos, os lugares onde Murugan conseguiu batalhas votoriosas foram: Tiruttanikai, Swamimalai, Tiruvavinankudi (Palani), Pazhamudirsolai, Tirupparamkunram and Tiruchendur.E ate hoje estes locais são chamados Arupadai Veedu ou campos de batalha do senhor.
Murugan tem duas esposas Valli filha de um chefe tribal e tribal e Devasena filha de Indra, o principal festival festejado em seu nome é o Thaipusam que comemora o dia em que ele ganhou o Vel de sua mãe Parvati e venceu os demônios, os devotops de Murugan costumam fazer penitencia e perfuram seu corpo neste dia levados por ondas de êxtase, não sentem dor nem tem sangramentos!!!.
Krishna cita no Gita (cap. 10 verso 24) que “entre os generais sou Skanda , o senhor da guerra”.
A maioria dos templos dedicados a ele na Índia esta no sul, e em Sri lanka ele e adorado tanto por hindus quanto budistas principalmente no templo de Kataragama, outro local muito importante do culto de Murugan e o templo de Batu Caves na Malasya onde existe a maior murthi (imagem) de murugan com 42,7m e onde o festival the Thaipusam atrai mais de 300,000 pessoas!!!.

dur

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Guruvayur

Sri Guruvayurappan



Dançarino Krishnathan










danças sagradas
O Alambalam onde está a deidade.














Procissão diaria

















pinturas murais



Guruvayur também e conhecida como a Dwaraka do sul por causa do famoso templo de Krishna ou Guruvayur Krishna Koil, que é o mais importante templo Krishna em Kerala e um dos mais importantes e ricos templos do sul da Índia. Neste templo Sri Krishna é chamado de Guruvayurappan que significa Senhor de Guru (Brihaspati o guru dos devas) e Vayu (deidade do ar), é dito que esta deidade tem o poder de perdoar todos os pecados e dar liberação a todos os devotos.
De acordo com a história a deidade tem mais de 5000 anos e é feita de uma pedra rara chamada patala anjanam, tem quatro braços e carrega concha, disco, maça e lótus e é decorado com jóias valiosas, pérolas e colares de folhas de tulasi.
O templo abre das três da manha as dez da noite, e após a deidade ir dormir todas as noites são feitas apresentações de danças clássicas como bharatanatyam e kathakali e uma dança que é exclusiva deste templo, o krishnanattam que narra a vida de Krishna e histórias tiradas do Geeta Govinda de Jayadeva Goswami e do Bhagavata Purana.
Outra pratica comum neste templo é uma oferenda chamada Tulambharam onde o devoto sobe em uma balança e doa o valor de seu peso em algo para a deidade como bananas, cocos, ouro, prata , grãos , ghee., etc. só nestas doações o templo recebe uma média de US$ 600.000,00 por ano!!!
O templo e cuidado por um dos grupos mais tradicionais de brahmanas da Índia os Namboodiris, que durante seu período de adoração residem dentro do templo e não saem para não se contaminarem. Como é um templo extremamente tradicional não é permitida a entrada de não hindus (hindus convertidos podem entrar) e é obrigatória o uso de roupas tradicionais, homen só de dothi (não podem cobrir o peito perante a deidade) e mulheres de sari.
A arquitetua do templo é muito diferente da do resto da Índia, pos seque o padrão do estado de Kerala, com muito uso de madeira e telhados de cobre e telhas de barro cozido.Se comparado a outros grandes templo do sul não é muito grande, é voltado para o leste e a porta principal se chama Bhuloka Vaikuntha (o céu na terra), após a entrada existe o Dhwajastambam (o pilar da bandeira) de 33,5 metros folhado a ouro e de cada lado deste pilar as Dipastambas (pilares de lamparinas) com 7 metros cada, que são um espetáculo a parte quando são acesos à noite.
No centro do complexo fica o Sri Koil ou Alambaram onde fica o Garbha-griha (o útero da Terra, como se chama a sala da deidade em sânscrito) onde reside a Guruvayappan totalmente decorado com pinturas narrando os passatempos de Krishna, ao sudoeste da sala da deidade esta uma sala fechada chamada “sala do mistério” que ninguém sabe ao certo o que guarda, só se conhece uma lenda que diz que na sala existem cinco Nagas (serpentes divinas) que guardam um imenso tesouro, mais ninguém cogita abrir para ver se é verdade.
Ao lado da sala misteriosa é a sala de Saraswati, onde ela é adorada junto com as escrituras sagradas que ficam depositadas nesta sala, e ao lado desta um altar de Ganesha onde é distribuída a prasada de Guruvayappan
Em um pátio fora da parte principal do templo existe uma capela dedicado a Sastra ou Ayappa, filho de Vishnu e Shiva e um prédio chamado Vicakkumatam cercado de 6614 lamparinas nas paredes que são acessas nos festivais e onde se localiza uma bela escultura de Vishnu deitado em Ananta Sesha. Ao norte do templo está o Rudratirtha um lago onde a deidade e banhada e onde os pujaris(sacerdotes) se banham para servir a deidade, ao lado deste lago esta o templo da Deusa do templo Edatharikathu Kavil Bhagavati uma forma de Durga que é a maya de Guruvayuappan, que era a deidade original do templo como se narra a historia de deidade resumida abaixo:
De acordo com o Narada Purana esta deidade era adorada pelo senhor Brahma que a deu a Vasudeva o pai de Sri Krishna, e depois foi adorada pelo próprio Krishna que a levou para Dwaraka onde depois foi dada de presente a Udhava um dos devotos mais íntimos de Sri Krishna, para que Udhava diminuísse o sentimento de separação após Krishna deixar o planeta.
Após a cidade de Dwaraka submergir a deidade foi transportada por Bhihaspati e Vayu para o sul em busca de um local para que ela fosse instalada, ao chegar em Kerala eles encontraram com Parashurama (avatara de Vishnu que criou o estado de Kerala) que os levou com a deidade para a margem de um lago cheio de lótus (o Rudratirtha) onde estava Shiva meditando próximo de um templo dedicado a Bhagavati (Durga), então a pedido da deidade de Durga a deidade de Krishna foi intalada no local onde ela estava e Durga se moveu para o lado esquerdo do templo onde está até hoje.
Em outra passagem é dito que Maharaja Jamanejaya, filho de Maharaja Pariksit, após ficar leproso pela reação de seu sacrifício para matar todas as serpentes da Terra, foi mandado por Dattatreya (forma combinada de Brahma, Vishnu e Shiva, isso mesmo os três) advertiu que ele deveria adorar Krishna em Guruvayur o que ele fez, e ficou curado em quatro meses.
Por volta das sete da noite ocorre o principal evento do templo, a procissão da deidade, que é colocada sobre um trono dourado sobre um elefante ornamentado, após elaboradas preparações para a vinda da deidade o devotos tocam o búzio três vezes e rapidamente os pujaris trazem a deidade funcional e a colocam sobre o elefante líder sobre parasóis coloridos e abanados por abanos e chamaras (de pelo de rabo de yaque), acompanhado por músicos e cantores e dão uma volta em torno do complexo do templo.
A importância dos elefantes no templo é testemunhada pelo seu grande número e pela forma carinhosa com que são tratados além da historia do elefante-devoto Keshavan.
Keshavan foi dado ao templo pelo raja de Nilanbur em 1916 com 10 anos de idade e viveu servindo ao templo por toda sua vida de 72 anos, ele era tão bom que era amado por todos da cidade e sempre levava a deidade de Krishna nas procissões, não deixou de participar de nenhuma cerimônia por 54 anos!!!Ele se ajoelhava nas duas patas traseiras apenas para receber a deidade sobre seu dorso, para qualquer outra pessoa que fosse subir levando outro artigo (parasóis ou abanos) tinha de subir sobre a sua perna esquerda. Nunca causou nenhum sofrimento a nenhuma pessoa e era o elefante mais alto de Kerala com 3,20m de altura.
Um dia único em estava atrasado (ninguém buscava ele, vinha sempre só ao mangala-arati) ele veio em disparada pela rua principal em direção ao templo fazendo com que as pessoas corressem para os lados,então surge uma pessoa que por sofre de lepra havia perdido as pernas e não pode sair do caminho, Keshavan brecou retirou o homen com cuidado com sua tromba e chegou a tempo de participar das cerimônias matutinas.
Após servir Krishna por 60 anos ele ganhou o titulo Gajaraja “Rei dos elefantes”.
No Guruvayur Ekadasi Utsava em 02 de Dezembro de 1976, durante o mangala-arati a deidade de Krishna foi colocado sobre Keshavan, que ao receber a deidade caiu e não conseguiu se levantar, então tiraram a deidade dele e colocaram sobre outro elefante, e as 3 da manha olhando para seu amado Krishna na companhia dos devotos o elefante Keshavan deu seu ultimo suspiro e deixou este mundo. Hoje em frente ao templo existe uma imagem em tamanho natural de Keshavan que carrega os marfins originais, E todos os anos é feita uma corrida em sua honra onde o elefante que ganha carrega Krishna por um ano e coloca uma guirlanda sobre a estatua de Keshavan.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Shaktismo

Durga

durga Lakshimi Saraswati

Lalita-Tripurasundari




Gayatri

















Existem três principais correntes da espiritualidade védica, são os vaishnavas (devotos de Vishnu), os shaivas (devotos de Shiva) e os shaktas (devotos de Shakti ou a Deusa).
Na tradição védica nunca o sagrado feminino foi deixado de lado e mesmo no vaishnavismo ou shivaismo o papel da Deusa é fundamental, NÂO EXISTE MASCULINO SEM O FEMININO OU SEJA NÂO EXISTE VISHNU SEM LAKSHIMI OU SHIVA SEM PARVATI.
O shaktismo ou “doutrina do poder” foca seu culto neste principio feminino na forma de Devi, para os shaktas Devi é o Supremo Brahman, Ela não é vista apenas como uma consorte de uma divindade masculina mais sim como a fonte da energia de qual o masculino é a parcela passiva.
O shaktismo esta mais ligado ao shivaismo e tem em Shiva o lado masculino mais transcendente e inativo como costumam dizer “Shiva sem Shakti é Shava ou seja um cadáver” também é bem conhecido um hino shakta composto por Sripada Sankaracarya chamado Saundalyahari onde é citado na primeira linha “ Se Shiva está em união com Shakti ,Ele é capaz de criar, se não Ele não é capaz nem de se mover”.
A história, do ponto de vista acadêmico, do shaktismo tem raízes muito profundas na Índia (assim como em todo o mundo) com artefatos que datam desde 22.000 anos!!!.
Nos Vedas existem diversos hinos dedicados as Deusas como o Sri Sukta, e varias deidades femininas são citadas como Ushas (o amanhecer), Sri (Lakshimi),Svaha (Ablução esposa de Agni), Sachi (Kali) para citar alguns exemplos.
Como dito anteriormente para os shaktas Devi é a Suprema Personalidade a personificação e energia de toda a criação, ou seja é o ÚNICO sistema religioso no mundo completamente orientado para o feminino, mais isso não isso não implica a rejeição do masculino.
Outro aspecto muito interessante do shaktismo é sua forte associação com o tantra, desde a adoração ortodoxa nos templos do Sul da Índia aos ritos mágicos e ocultos do Norte da Índia, principalmente no respeito a usos de mantras, yantras, e elementos de yoga, sempre praticados sob a guia de um guru fidedigno e qualificado após o rito de iniciação (Diksa) com ensinamentos orais em suplemento aos textos sagrados (como ocorre em todas as linhas filosóficas védicas), na parte social o tantra é muito positivo no aspecto de não considerar as barreiras de castas (um shudra pode ser um guru, e todas as mulheres são consideradas manifestação de Shakti) fazendo que todo adepto masculino tente encontrar a sua parte feminina para assim poder adorar o Supremo de forma adequada (ótimo exemplo: os maiores “devotos” de Krishna por exemplo são mulheres –as gopis- e o Senhor Chaitanya tinha o sentimento de Radha por Krishna ou seja leiam bastante pois não será aqui que vou elucidar tamanha complexidade, para dar um exemplo de como o Gaudiya Vaishnavismo também é muito influenciado pelo Tantra).
Os shaktas se aproximam de Devi nas Suas mais diversas manifestações, mas sem esquecer que todas são consideradas manifestação de uma Deusa Suprema. A preferência de uma forma, que é chamado de ishtadevata, depende de vários fatores, tradição familiar, região geográfica, linha de Guru (parampara), etc. As principais formas adoradas ou as mais “básicas” seguem abaixo:
-Parashakti- Devi na sua forma transcedental.
-Durga – Mahadevi oi Suprema Divindade.
-Sri Lakshmi – Deusa da fortuna (amor, beleza , poder , prosperidade, saúde, etc) shakti de Vishnu.
-Parvat i- consorte de Shiva e manifestação mais “maternal” de Durga.
-Saraswati - shakti de Brahma e Deusa dos assuntos culturais (artes, literatura, musica, ciências, conhecimento, etc.)
-Gayatri-aspecto de Saraswati como conhecimento transcedental.
-Ganga - Deusa do rio Ganges.
-Sita - Devi consorte de Rama.
-Radha - Devi como consorte e shakti de Krishna.
Alem das citadas acima adoradas e conhecidas por todos os ramos hindus existem um grupo mais fechado ao shaktismo e ao tantra, são as Dasamahavidyas ou os Dez Grandes Conhecimentos, que são:
-Kali – a Devoradora do tempo, a encarnação da Destruição cósmica.
-Tara – outro nome de Kali como guia e protetora que leva a salvação.
-Lalita-Tripurasundari – a”Beleza dos três mundos” aspecto de beleza e forma Tantrica de Parvati.
-Bhuvaneswari - Senhora e mãe do mundo, personificação do Universo (os vaishnavas á adoram na principalmente como Subhadra, outra vez tantra e vaishnavismo rs)
-Bhairavi – aspecto de força da Deusa.
-Chinnamasta – a nutriz que se auto sacrifica para nutrir o mundo, retirando sua energia do poder sexual.
-Dhumavati – a Deusa como viúva,representa o mundo após a destruição.
-Bagalamuki- aspecto de proteção.
-Matangi- a Saraswati tantrica por vezes sem casta (intocável) e por vezes energia de Lalita-tripurasundari.
-Kamala- Deusa do lótus ou a Lakshimi tantrica.
A adoração a Devi ocorre principalmente por dois grupos, ou famílias ( no sentido de linha filosóficas ou sampradayas), a Srikula (mais forte no sul da Índia) e a Kalikula (do norte e leste da Índia), um aspecto interessante do Srikula e a adoração através de um Yantra o famoso Srichakra.
O principal festival shaktista é o Navaratri (nove noites) onde se adoram as Deusas e onde se lê o Devimahatmya do Markandeya Purana um dos principais textos shaktas.
Existem vários templos dedicados a Devi ou Shaktapithas (assentos de Shakti) como são chamados, que tem relação aos locais onde os pedaços do corpo de Devi caíram após serem cortados por Visnu no passatempo de Shiva e Sati (onde Devi se imolou no fogo em protesto ao seu pai Daksha, por não aceitar seu casamento com Shiva e após matar o sogro, Shiva sai carregando o corpo de Sati que é cortado pelo disco de Vishnu e tem os pedaços espalhados pela Terra, depois Sati renasce como Parvati filha da montanha), alguns templos importantes são os de Vaishio Devi, nos Himalayas; Dhakshinakali; em Kolkatta; Meenakshi, em Madurai; Kamakhya, em Assam; Kamakshi, em Kanchipuram; Kanyakumari, no estremo Sul; Vimala em Puri; só para citar alguns.
O Shaktismo sofreu muita persequição principalmente durante o período de dominação inglesa que junto com alguns outros grupos hindus a considerava ( alguns ainda consideram) como magia negra ou ocultismo.
Hoje o shaktismo saiu das barreiras indianas e também floresce na Europa e América do Norte, o primeiro templo hindu aberto na América do Sul na Venezuela é dedicado a Kali.
O número de adeptos entre não indianos cresce muito nos últimos tempos principalmente na América do Norte, como uma busca de uma religião mais antiga livre do patriarquismo das religiões, como era em todo o mundo antes das religiões abrahanicas.
É acho que sou um pouco shakta também.
Dakshineswara Kali mandir

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Kannappa

Templo de Sri Kalahasti

Kannappa é um santo shaiva (devoto de Shiva) que nasceu próximo ao que é hoje o templo de Sri Kalahasti em Andra Pradesh no sul da Índia, em uma família de caçadores e foi chamado deThinnan(forte) por seus pais.
Em suas andanças pela floresta ele encontrou a Vayu Linga de Kalahasti ( a Linga de ar de Shiva, que junto com outras lingas em outros cantos do pais formam as lingas dos 5 elementos, terra, fogo, água e éter) e foi tomado por amor e devoção a Shiva, mas por ser analfabeto e de baixo nascimento, não sabia adorar de forma correta. Ele trazia na boca água para colocar sobre a Linga e oferecia os animais que caçava a Shiva, o seu amor por Shiva era tão puro e seu coração inocente que Ele (Shiva) aceitava as oferendas.
Um dia Shiva resolveu testar a inabalável devoção de Thinnan, durante uma visita no templo Shiva fez com que a terra tremesse o que fez com que tosos os sacerdotes corressem para fora mas Thinnan correu para a Linga à abraçou e a protegeu com seu corpo, após o incidente ele ficou conhecido como Dhira ou o que não tem temor.
Em outro incidente mais famoso Thinnan ou Dhira viu que um dos olhos da linga havia caído e de lá saia sangue e lágrimas e pensou que o olho de Shiva havia sido arrancado, sem pensar meia vez pegou uma de suas flechas arrancou um de seus olhos e colocou na Linga no local do olho que sangrava parando o sangramento.Mas logo notou que o outro olho da Linga começava a sangrar e resolveu dar a Shiva seu outro olho, mas para não perder a noção do exato local onde deveria encaixar o olho, Thinnan colocou o dedão do pé na Linga para marcar o local, arrancou seu único olho e quando ia encaixar na Linga o Senhor Shiva comovido pelo amor de Seu devoto apareceu e falou na língua telegu (que é a língua da região) “Nillu Kannapann!!” Pare Kannappa(kannapa significa "aquele que deu os olhos ao Senhor") e restaurou os olhos de Kannappa e os transformou em um dos 63 Niyanars ou grandes bhaktas de Shiva.

Sri Nityananda Utsava

Doyal and me



Pés de lótus Sri Nityananda


Rama Krishna d


Kirtana



Eu e Sri Nitay




Ananda Vrindavana dd, Sri Vraja Sundara d, eu e Sri Krishna Shakti d.






Venho agradecer aos devotos que ajudaram no festival de Sri Nityananda Rama, é por este motivo (a adoração a Krishna)que nós Gaudiyas Vaishnavas vivemos e tentamos manter vivas as tradições.
Agradecimento ao casal “o meeeu” Ananda Vrindavana D.D. e Vraja Sundara D., Doyal Nitay .D (quem diria), Sri Krishna Shakti D.,Govindanandana Dasa (que infelizmente não estava lá mais foi pintar as deidades de Goura Nitay antes do festival para que todos As vissem belas) Yashoda D.D. ( de Nova Gokula) Madhumati Radhika D.D. (a mulher por traz das lentes)e Thirtatma Nitay D., Rama Krishna D., o casal lawyer Anandamaya D.D. e Dasananda Gouranga D. (nos amaldiçoamos e eles processam), Sri Krishna e Krishna Bhava D.D. (por abrirem suas portas sempre aos devotos e agüentar a bagunça toda), e várias outras pessoas que cozinharam , limparam , cantaram ,dançaram ( não vou lembrar de todos aqui tenho memória de Dori)e por mais um ano honraram Sri Nityananda.
Muito obrigado pela amizade de vcs.
Nityananda Ki Jay!!!!

Há a vassoura que pensamos que era o Doyal tb.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Sri Nityananda Rama Prabhu


Amanhã (07/02/2007) os Gaudiyas Vaishnavas (meu caso) comemoram o 533º aniversario do aparecimento da Suprema Personalidade de Deus Sri Nityananda Rama Prabhu, encarnação de Sri Balarama o irmão mais velho de Sri Krishna e personificação de toda misericórdia que pode ser concedida ao mundo!!!!
Sri Nitay (apelido de Nityananda) nasceu na vila de Ekachakra (já postado anteriormente neste blog) em radhadesha no estado da Bengala Ocidental como filho de uma brahmana de nome Hadai Pandita e Padmavati Mataji.
Desde sua juventude além de ser um grande cantor de bhajans (musica devocional a Krishna), Sri Nitay gostava de encenar os passatempos de Rama com os outros garotos de Ekachakra onde sempre fazia o papel de Lakshmana (irmão de Rama)e mergulhava os habitantes de Ekachakra em amor por Deus.
Aos 13 anos um brahmana peregrino chamado Lakshimipati Tirtha e se hospedou na casa do pai de Sri Nitay que ofereceu o que o brahmana desejasse, este pediu a companhia de Nitay em sua peregrinação pelos locais sagrados. Sem poder negar o pedido Hadai Pandita entregou seu filho como companhia a Lakshimipati que viajou com Nitay por 20 anos por toda a Índia.
Neste período Nityananda foi iniciado por Lakshimipati e teve associação com Madhavendra Puri, que iniciou entre outros Advaita Acarya e Isvara Puri,mestre de Sri Caitanya Mahaprabhu,(que não é outro senão Krishna) com que Nitay veio a se encontrar em 1506 aos 36 anos de idade.Apos este incidente Nitay passou a pregar por toda a Bengala, Bihar e Orissa onde aconteceram incidentes marcantes como a historia de Jagai e Madhai. Após este período pelo pedido de Sri Caitanya,sri Nitay retorna para a Bengala e larga a possição de avadhuta para se tornar um chefe-de-familia se casando com Jahnavi Devi e Vasudha e tem um filho chamado Virchandara e uma filha de nome Gangadevi, até hoje os descendentes de Nityananda Vivem na Bengala e estão na 14º geração com Sri Premgopal Goswami.
Muito poderia escrever sobre os inúmeros passatempos de Nityananda mas iria ficar por demais comprido este post, então acabaremos dizendo que após o fim de seus passatempos nesta terra se fundindo na deidade de Krishna conhecida como Bankim Ray numa vila próximo a Ekachakra, deixando o movimento de Sankirthana sob os cuidados de sua esposa Jahnavidevi.de onde floresce desde então.

akrodha paramananda nityananda raya
abhimana sunya nitai nagare bedaya
”O nobre Nityananda Prabhu, nunca era irado, por Ele ser a personificação da Suprema bem-aventurança transcendental. Destituído de todo falso ego, Nitay andava pela cidade.” Akrodha Paramananda por Locana dasa Thakura, verso 1


casamento de Nityananda e Jahnavidevi





Decimo quarto descendente de Sri Nityananda Sri Premgopal Goswami

वाराह Sri Varahadeva




Hoje pelo calendário védico se comemora o aparecimento de Sri Varaha वाराह, uma dos principais avataras (encarnações) de Sri Vishnu que apareceu como um javali..
Esta forma de Vishnu apareceu para salvar a Terra personificada como a Deusa Bhumi de um demônio chamado Hiranyaksha que havia levado a Terra para as profundezas do Oceano Cósmico, após uma épica batalha Vaharadeva vence o demônio e retira a Terra do Oceano Causal com Suas presas de javali.
Após o incidente Sri Vishnu se casol com Bhumidevi que passou a ser Sua segunda esposa.
Na arte Varahadeva é tanto representado como um Javali e também como Vishnu com cabeça de Javali, Sua historia é contada nos puranas e principalmente no Varahapurana.
Na época medieval Varaha tinha grande culto hoje poucos templos são dedicados a Ele.
Om swetham varaha vapusham kshithi mudwarantham,
Sankhari sarva varada abhaya yuktha bahum,
Dhyayen nirjaischa thanubhi sakalai roopetham,
Poorna vibhum sakala vanchitha sidhaye ajam.

Meditando no Senhor branco Varaha.
Aquele que ergue a Terra e dar-lhe proteção,
Aquele que é armado com a roda e a conha,
Aquele que mostra o sinal de proteção (abhaya mudra).
E é o Senhor Supremo e completo,
E concede todos os desejos de Seus devotos.
Nas fotos algumas deidades de Varahadeva

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Vimala Devi

foto:Vimala do templo de Jagannatha no Bhaktivedanta Ashram em Bhadrak-estado de Orissa


Na Índia cada espaço geográfico esta sob a proteção de uma divindade, geralmente feminina, uma forma de Shakti ou a Deusa.
Em Vrindavana ela é Vrindadevi, em Mayapur é Paudramaya e em Puri é Vimala.
O nome do mestre espiritual de Srila Prabhupada, que posteriormente ficou conhecido como Srila Bhaktisidantha Saraswati era Vimala Prasada Dutta ou Misericórdia de Vimala, isso porque seu pai Srila Bhaktivinoda Thakura orou à Vimala Devi pendindo-lhe um filho que o ajudasse a propagar o movimento de sankirtana de Sri Caitanya Mahaprabhu.
Mas quem é Vimala?
Vimala é a Pitha-Devi de Srikshetra (Jagannatha Puri) ou seja a Deusa principal do templo de Jagannatha e considerada consorte do Senhor, o templo de Vimala dentro do complexo de Puri é um templo muito antigo, fica a sudeste do templo principal, e foi construído pelo raja Ananta Varman Chodaganga Dev no século XII sobre um templo anterior bem mais antigo.
À entrada do templo de Vimala existe um leão (Sua montaria) sobre um elefante que representa alma (o leão) em superioridade ao intelecto (o elefante)
A deidade principal de Vimala é feita de uma pedra negra e esta sobre um pedestal em forma de lótus, tem mais de um metro de altura e é uma representação de Bhairavi Devi com quatro braços que carregam um rosário, uma nagini (mulher-serpente), Amrit Kalasa(pote de néctar) e uma mão em Varada-mudra ou gesto dando benção.
Ela é descrita como Kriya-shakti (poder da ação) do senhor Balarama, Ichha-shakti (poder do desejo) de Srimati Subhadra e Maya-shakti (energia ilusória) do Senhor Jagannatha.
Além disso Ela é adorada como Mahakali, Mahalakshimi e Mahasaraswati que representam a totalidade do aspecto de Shakti em toda a criação.
Vimala é a toda-poderosa governante do templo de Jagannatha e é venerada como Srikshetra( nome védico de Jagannatha Puri) Rajeswari.
Jagannatha Puri além da morada de Sri Jagannatha e Seus irmãos divinos também é um Shakti-pitha ou local sagrado da Deusa,conforme contam os Puranas, após o incidente em que Sati , a esposa do Senhor Shiva, imola-se no fogo devido a uma ofensa cometida pelo seu pai Daksa ao seu genro.
Shiva após matar Daksa e acabar com o sacrifício que este estava fazendo, pega o corpo de Sua amada e sai perambulando pelo mundo, o Senhor Vishnu ao ver a cena manda Sua Sudarsana e corta o corpo de Sati em vários pedaços que caem em diferentes locais na Terra, assim um dos pés de Sati caiu onde hoje é o templo de Vimala.
Outro aspecto importante de Vimala nos rituais do templo é que toda a prasada que é orefecida a Sri Jagannatha depois deve ser oferecida à Vimala e só então se torna Mahaprasada assim podendo ser servida aos devotos.
Dois importantes festivais ocorrem no templo dedicado a Vimala é o Durgamadhava que ocorre no mês de Chaitra (Março- Abril) que dura nove dias onde Bhairavi e Madhava (Durga e Vishnu) são adorados de forma única como um casal, o que só ocorre em Puri
O segundo festival, que acontece no mês de Aswina (Setembro – Outubro),dura 16 dias e o casal (Durga e Vishnu) recebem a benção de Subrada para o bom andamento do ritual, a deidade de Durga e consagrada na plantaforma perante o templo e depois levado parao interior do templo principal em um trono especial então deidade de Vishnu e trazida e colocada ao lado dela, de onde são levados para o templo de Narayani fora do complexo do templo de Jagannatha onde são adoradas com rituais elaborados por 9 noites, do lado deste templo os servos de Jagannatha constroem uma cozinha temporária para preparação de oferendas especiais para Vimala.
Durante este festival onde a deidade é retirada do templo de Jagannatha, Vimala é adorada com diversos rituais tântricos o que não ocorre nos ritos Vaishnavas que ocorrem no interior do templo de Jagannatha.
Já imaginam que rituais são estes não?.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sri Harihara श्री हरिहर


Harihara é o nome dado a uma forma única de Vishnu (Hari ) e Shiva (Hara) combinados, também chamado Shankaranarayana adorado como Senhor Supremo tanto por vaishnavas (devotos de Vishnu) quanto por shaivas (devotos de Shiva).
Apesar de filosoficamente as duas correntes não concordarem em muita coisa perante a deidade de Harihara as diferenças são esquecidas.
Os shaivas costuman dizer que “Sivasya hridayam vishnur-vishnoscha hridayam sivah” Vishnu é o coração de Shiva da mesma forma que Shiva é o coração de Vishnu.
Já os vaishnavas, que não adoram ninguém a não ser formas de Vishnu, aceitam o unidade das duas polaridades tão diferentes ( manutenção de Vishnu e destruição de Shiva).
Na sampradaya (corrente filosófica) que eu sigo por exemplo Srila Prabhupada o fundador da ISKCON descreve no livro “Ensinamentos do Senhor Caitanya , cap. 8 “:
“Similarmente, expandindo a Si próprio como o Senhor Shiva, o Senhor Supremo é empregado quando há uma necessidade de destruir o Universo, O Senhor Shiva em associação com Maya, tem muitas formas, geralmente enumeradas como onze. O senhor Shiva não é uma das entidades vivas; Ele é,mais ou menos , o próprio Krishna. O exemplo de leite e iogurte muitas vezes é dado neste sentido – o iogurte é uma preparação de leite, mas ainda assim o iogurte não pode ser usado como leite. Semelhantemente o Senhor Shiva é uma expansão de Krishna, mas ele não pode atuar como Krishna... A diferença essencial é que o Senhor Shiva tem uma conexão com a natureza material, mas Vishnu ou o Senhor Krishna não têm nada a ver com a natureza material”
É ai tiramos a complexidade da posição de Shiva em qualquer tradição védica.
Ao que sei poucas deidades de Harihara são adoradas na Índia hoje, sei apenas de quatro (se alguém souber de mais me avise e mande foto, please) uma na Bengala em Mayapur (Harihara Ksetra), uma em Bihar, e duas no sul da Índia.
O culto de Harihara era muito forte no sudeste asiático principalmente no Império Khmer entre os séculos VIII a XIV.
Sobre a deidade de Harihara de Mayapur na bengala sei algo interessante, Ela era feita de uma pedra rara e o Seu templo não tinha condições de protegê-la o que ocorreu foi que a deidade foi roubada mais depois recuperada então Ela foi parar na cadeia, onde passou oito meses , neste período os devotos da ISKCON (entre eles Jayapataka Swami e Nitay Parasad Prabhu) contataram a policia com o desejo de soltar a deidade, na condição de que um belo templo fosse feito para ela.
Então com fundos da Bhaktivedanta Charity Trust o templo antigo foi restaurado e ampliado para dar a segurança necessária para a deidade.
Então no auspicioso dia de vasantha pachami a deidade foi liberada e teve um belo abhiseka (banho com varias substancias) e voltou para Seu templo restaurado e seguro na companhia de suas esposas Lakshimi e Parvati.





terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Vithoba Krishna










Vitthoba विठोबा Vitthala विठ्ठल, Panduranga são nomes de uma importante deidade de Krshna localizada no estado do Maharastra no Oeste da Índia.
A deidade está localizada na cidade de Pandharpur as margens do rio Bhima também chamado Chandrabanga na região.
A história de Vittala é contada no Padma Purana e também citado no Skanda Purana.
De acordo com o passatempo após uma cerimônia religiosa próximo a Dwaraka (a capital de Krishna no noroeste da Índia), Krishna se encontrou com as gopis após muitos anos de separação e com Srimati Radha junto com Suas rainhas que não foram devidamente recebidas pelas gopis.
Rukmini, a principal rainha de Krishna, após o incidente sentiu-se ofendida e partiu de Dwaraka indo parar em uma floresta próximo de onde morava um devoto chamado Pundarika que vivia a cuidar de seus pais idosos.
Krishna ao notar que sua rainha o havia abandonado foi à seu encontro e após muita, mas muita conversa conseguiu convencer Rukmini e reconcilhiaram-se.
Ambos então decidiram visitar o devoto Pundarika que estava muito ocupado , ao ver Krisna e Rukmini na porta de sua casa Pundarika que não podia enterromper o serviço a seus parentes colocou tijolos no chão pois não tinha mais nada a oferecer na pressa e pediu que Krishna esperasse um pouco aoq eu Krishna e Rukmini subiram nos tijolos, após conseguir acabar o serviço Pundarika vem até Krishna que muito satisfeito por sua devoção a seus pais lhe da uma benção.
Pundarika então pede a Krishna e Rukmini que que fiquem sobre o tijolo (Vitalla) para sempre para abençoar os devotos, o que é aceito por Krishna.
Iconograficamente falando a deidade tem cerca de um metro de altura em basalto negro está em pé sobre um tijolo dado por Pundarika e com as mãos na cintura portando o Chakra (disco) e Sankha (búzio), usa a jóia Kausthuba e brincos de Makara(tubarão) nas orelhas e a marca Srivatsa no peito.
Rukmini também é representada na mesma posição que Seu amado esposo.
O templo é famoso pelos festivais Padayatra (peregrinações) feito pelos devotos que caminham desde grandes distâncias levando as padukas (sandálias de madeira) de Gurus e santos principalmente durante o os ekadhasis (11 dia da lua cheia e nova) entre Junho e Julho e Outubro e Novembro.
Além do templo principal Vittala é adorado em vários templos principalmente em Maharastra, Karnataka, Andra Pradesh e Tamil Nadu.