quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ahobilam


Lakshimi Narasimha
Entre os vaishnavas uma das formas mais incríveis e adoradas do Senhor é Nrshinhadeva, o leão divino encarnação da ira de Sri Vishnu como meio homem meio leão que veio para salvar seu querido devoto Prahlada do pai demoníaco.
Na Índia o estado que mais adora esta forma do Senhor é Andra Pradesh no sul da península, e entre vários locais devotados a Narasimha o mais santo é Ahobilam onde Nrsimhadeva apareceu. E considerado um dos 108 Divyas Desam (moradas Divinas de Sri Vishnu) e foi cantado em glorias por Tirumangai Alvar (ver o post sobre Tirumangai).
Até pouco tempo atrás era uma cidadezinha meio esquecida, cercada pela reserva florestal de Nallamala, a região é a única no mundo onde se adoram as 9 formas do Senhor Nrsimha, que são:
Varaha Narasimha
Malola Narasimha
Yogananda Narasimha
Pavana Narasimha
Karaancha Narasimha
Chatravata Narasimha
Bhargava Narasimha
Jwala Narasimha
Ahobila Narasimha
As Deidades se espalham em uma área entre a cidade, vilas e a floresta, dividido em duas zonas a Ahobilam Alta e Ahobilam Baixa, na parte alta ficam as cavernas que são usadas como templos e em nem todas elas a deidade tem uma adoração regular devido à dificuldade para chegar nestes locais.
Ahobilam Baixa.
Na parte baixa o principal templo é o de Prahlada-varada Narasimha ou Lakshimi Narasimha que tem mais de 900 anos e fica no centro da cidade, onde se adora a forma de Nrsimha abençoando Prahlada Maharaja, é um belo templo com muitas esculturas descrevendo as formas de Nrsimhadeva, a certa distancia deste fica o templo de Chatravata Narasimha sobre uma árvore pippal (figueira), e a partir deste a caminho da parte alta existem os templos de Karanda Narasimha e Yogananda Narasimha onde se diz que o Senhor ensinou yoga a Prahlada.
Ahobilam Alta.
O principal templo é o de Ugra Narasimha (ugra significa irado) dedicado a Narahari na forma que sai da coluna para matar Hiranyakasipu, a deidade é auto-manifesta e esta dentro de uma caverna, o templo fica sobre uma colina e tem as montanhas de fundo, próximo a este templo fica o templo de Krodha Narasimha na caverna de Vaharanarasimhar onde existem duas deidades a de Vaharadeva (encarnação de Javali) e Nrsimhadeva, que são adoradas nesta caverna á milhares de anos. O próximo templo é o de Malola Narasimha onde a deidade é adorada numa forma pacifica ou santa-rupa junto com sua consorte Sri Lakshmidevi.
Subindo as colinas o próximo templo a ser visto é o de Jwala Narasimha onde o Senhor é adorado numa forma chamado Ugrakala, neste local acredita-se que demônio Hiranyakasipu foi morto pelo Senhor, a deidade fica em uma caverna de frente a um penhasco e é de difícil acesso de lá já se vê o local onde estava a coluna de onde surgiu o Senhor ou Ugra-sthamba que é alcançado após uma árdua caminhada até o topo da montanha, o local é marcado por uma bandeira e pelas pegadas gravadas em pedra do Senhor Narahari.
O próximo templo é o de Pavana Narasimha onde uma forma shakta do Senhor é adorada, neste templo quando se oferece caldo de cana para a deidade ela bebe e “vomita “ uma parte de volta como prasada ( comida santificada).
A cidade de Ahobilam também e a sede do ramo Vadagalai da Sri Sampradaya (divisão do vaishnavismo ou culto a Vishnu)

Sri Maloola Narasimha koil (templo)




Sri Bhagava Narasimha.


Sri Ugra Narasimha.

Marca dos ´pés de lótus de Sri Narasimha no local onde havia a coluna de onde Ele emergiu a ugra-sthamba.
Sri Yogananda Narasimha.


Ugra Sthamba.


Sri Pavana Narasimha.
Templo de Lakshimi Narasimha.


Coluna no templo de Lakshimi Narasimha.

Templo de Kroda Narasimha.
Sri Kroda Narasimha.


Karanja Narasimha koil.
Templo de Jwala Narasimha.
Deidades em Jwala Narasimha, onde Ele aparece brigando e depois matando Hiranyakasipu.



Templo de Chatravata Narasimha.

Sri Chatravata Narasimha.

Templo de Ugra Narasimha.

Kunda (tanque) abandonado no meio da floresta.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Nagas as serpentes divinas.


Nagaraja em mural de templo , Sri Lanka.

Patanjali o escritor dos yoga-sutras.


Vishnu e Sesha Naga

“O demônio de um homem é a deidade de outro”, na tradição védica (e em outras tradições religiosas antigas) a adoração a nagas (serpentes) é uma constante e representa o substrato mais antigo das tradições, na tradição judaico-cristã são vistas como encarnações do mal, nas culturas tradicionais a historia é bem diferente.
No contexto védico e nas culturas decorrentes desta (budista, jaina, sikh) as nagas são vistas como seres divinos, dentro da cultura vaishnava (em que eu me enquadro) Krishna (Deus) se expande primeiro como Balarama, e este se expande como Ananta-Sesha que significa “infinita – eterna” uma serpente e mil cabeças, e Vishnu usa esta serpente como cama e trono. Balarama também sempre é representado com uma Naga sobre sua cabeça.
Shiva usa nagas como adornos e ele distribuiu o veneno que bebeu ( na historia da batedura do oceano de leite) entre serpentes e escorpiões tornando-os venenosos, Ganesha usa uma naga como cordão sagrado, Buddha foi protegido de uma tempestade pela naga Muchalinda, Patanjali o criador do sistema de yoga é uma encarnação de Sesha-Naga e tem corpo meio serpentino, além de muitas outras deidades que tem alguma ligação com as serpentes e deidades serpentes como a deusa Manasa.
A história das nagas no mundo material (serpentes divinas como Ananta-Sesha são formas do Senhor, portanto não são materiais) começa com a historia do sábio Kasyapa e de suas duas esposas Kradu e Vinata.
As duas esposas queriam ter filhos, Kradu queria ter-los em grande número e Vinata queria ter poucos mais poderosos filhos. Desta forma o sábio Kasyapa satisfez seus desejos e Kradu teve 1000 ovos que se tornaram serpentes e Vinata teve apenas dois de onde nasceram Aruna ( aurora) o quadrigario de Surya o Deus Sol, e Garuda o vahana ou montaria do Supremo Sri Vishnu.
Vinata foi mais tarde escravizada por Kradu o que resultou na eterna inimizade entre Garuda e as serpentes (ver o post sobre Garuda ), após vários incidentes que levaram a liberação de Vinata por Garuda, Kradu desejava novamente escraviza-la e tento a certeza de conseguir novamente o feito pedia ajuda a seus filhos serpentes e obtendo a relutância de seus descendentes Kradu irada os amaldiçoou para que fossem mortos em um sacrifício de fogo.
Sabendo da maldição Vasuki o então rei das nagas aproximou de um asceta renomado Jaratkaru com uma proposta de matrimônio do sábio com deusa serpente Manasa, sua própria irmã, esperando assim gerar um herói para salvar as serpentes de seu destino, da união nasceu uma criança de esplendor celestial de nome Astika que seria o salvador das serpentes.
Após a morte de Maharaja Pariksit (neto de Arjuna o pandava) amaldiçoado por um brahmana de ser morto por uma serpente, seu filho Maharaja Janamejaya decide se vingar das serpentes e cumprindo a maldição de Kradu faz um sacrifício onde serão oferecidas todas as serpentes, pelo poder dos sacerdotes e dos mantras as serpentes eram chamadas por seus nomes e arrastas ao fogo e consumidas por ele.
O sacrifício então tomou proporções de genocídio quando Astika foi intervir, aproximando de Janamejaya e glorificando o sacrifício com eloqüência satistazendo Maharaja Janamejaya, que ofereceu uma benção a escolha de Astika, que prontamente pediu que o sacrifício fosse encerrado, e mesmo lamentando Janamejaya foi fiél a sua palavra e encerrou o sacrifio.
Além desta historia o Mahabharata também varias passagem em que sita as nagas como o relacionamento entre Arjuna e a princesa naga Ulupi que lhe deu um filho chamado Iravat que foi morto durante a batalha de Kurukshetra.
Na religião tradicional as nagas são deidades protetoras das nascentes, dos corpos de água dos subterrâneos e guardiãs das jóias que usam sobre suas cabeças para iluminar os mundos inferiores onde habitam e protegem o conhecimento esotérico.
São objetos de extrema veneração principalmente no sul da Índia adorado em deidades chamadas “nagakal” ou serpentes de pedra, acredita se que trazem fertilidade (matar uma serpente faz uma pessoa ser estéril na próxima vida) e bons filhos aos seus adoradores, o principal dia dedicado as nagas é o Nagapanchami no mês de Shravam (julho/agosto) que também marca o dia em que Krishna conquistou a serpente Kaliya.
Os templos dedicados a Nagaraja (Rei-serpente) mais importante são Mannarsala no estado de Kerala, onde toda família tradicional tem um bosque na casa onde são adorados as nagakal, e o templo de Nagerkoil em Tamil Nadu.
Muitas dinastias como os kshatrias Nair de Kerala são descendentes das nagas.
As nagas também são importantes em paises de grande influencia hindu como Tailândia, Camboja, Indonésia e Malasya.
Acredita-se que as nagas vivem em Patala ou Nagaloka e tem como capital a cidade de Bhogavati
अनन्तं वासुकिं शेषं पद्मनाभं च कम्बलम् ।
Anantam Vāsukim Shesham Padmanābham cha Kambalam
शंखपालं धार्तराष्ट्रं तक्षकं कालियं तथा ।।
Shankhapālam Dhārtarāshtram Taxakam Kāliyam tathā
एतानि नवनामानि च महात्मनाम् ।
Etāni navanāmāni cha mahātmanām
Tradução
Anantha, vasuki, padmanabh, kambala, shankhapaal, dhartaraashtra, takshak e kaaliya – estes nove são os grandes entre grandes.

Adoração as nagas em Nagpanchami.















Deidades de Nagas sendo adoradas em Kerala.

Adoração a naga em Kerala.

Naga em templo de Orissa.

Naga em parque tailandes.
















Templo de Nagaraja em Nagerkoil, Tamil Nadu.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Chitrakut a floresta de Rama.

Templo de Rama Chitrakuta.
Chitrakut que significa bela montanha é hoje uma bela cidade sagrada e tranqüila as margens do rio Indrani no estado de Uttar Pradesh no norte da Índia, famosa pelas suas cachoeiras e florestas e, sobretudo, por ter abrigado Sri Rama , Sita Devi e Lakshmana durante 11 anos do Seu exílio de 14 anos.
Conforme descrito no Ramayana, Rama viveu na floresta de Chitrakut em paz com Sita até ser descoberto por Suparnaka, a irmã de Ravana, que após ter sido rejeitada por Rama tentou matar Sita e foi detida por Lakshmana que cortou seu nariz, ela então fez com que Ravana se encantasse por Sita e a seqüestrasse.
Próximo de onde Rama viveu também era o ashram de Atri e de sua esposa Anasuya, que fez que com que o rio Ganga (Ganges) aparecesse como o rio Mandakini, pois era preciso de água sagrada para os rituais de seu esposo. Rama diariamente se banhava neste rio e Sita num lago próximo chamado Janaki Kunda onde se conservam pegadas do casal divino.
A cidade de Chitrakut ainda hoje é cercada de floresta e é um local extremamente sagrado principalmente para os devotos de Sri Ramachandra.
Com cerca de 30 templos na cidade e importantes locais para banhos (ghats), é um local pacifico e praticamente intocado por turistas estrangeiros mais em dias de festivais milhares de indianos vão para lá. Os locais mais importantes na cidade são:
- Ramaghat - localizado no centro da cidade é o mais importante ghat para banhos no rio Mandakini.
- Kamadgiri – colina coberta por floresta a 5 km da cidade cheia de templos no percurso é onde Rama e Sita viveram durante o tempo que estavam em Chitrakut.
- Janaki Kunda – local onde Sita também chamada Janaki (pois é filha de Marahaja Janaka) se banhava, hoje além do lgo tem um templo dedicado a Sita e outro a Hanuman.
- Sati Anasuya – local onde vivia Atri Muni e sua esposa a casta Anasuya com seu filho um encarnação de Brahma , Vishnu e Shiva juntos chamado Dattatreya.
- Sphatik Sila – onde morava Jatayu (encarnação de Garudaji como abutre) e onde existe uma pegada de Rama.



Ghat Chitakut.

Rama ghat.

Janaki kunda.

Floresta Chitrakut.





cachoeiras em Chitrakut.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Rama Navmi


Amanhã será comemorado o aparecimento (nascimento ) da Suprema Personalidade de Deus Sri Ramachandra ou Rama como é mais conhecido.
Rama nasceu como o filho mais velho de rei de Ayodhya, Maharaja Dasharatha e uma de suas rainhas chamada Kaushalya.
Ramachandra é um dos principais avataras (encarnações) do Senhor neste mundo, veio como um homem, esposo e rei perfeitos que colocava o cumprimento do Dharma em primeiro lugar antes de qualquer coisa, inclusive acima de todas as vontades pessoais.
A história de Rama foi descrita pelo sábio Valmiki num dos maiores e mais famosos épicos da humanidade o Ramayana (se alguém quiser tenho o texto todo em inglês em formato txt da mais de mil e seiscentas paginas rs.), o Ramayana é uma das maiores fontes (ao lado do Mahabharata) de exemplos de vida para hindus de todo o mundo, fonte inesgotável de referencias para as artes principalmente a dança.
A história de Rama como cumpridor ideal do Dharma começa quando por motivo de um voto feito a umas de suas esposas o rei Dasharatha se vê obrigado a mandar seu querido filho para um exílio de 14 anos na floresta.
Rama, que acompanhado de sua fiel esposa Sita, o protótipo da mulher ideal, e por seu irmão Lakshmana seguem para a floresta visitando sábios e combatendo demônios para a proteção dos sábios em seus eremitérios, até que Ravana o rei demoníaco de Lanka (atual Sri Lanka) ouve falar da beleza de Sita e a seqüestra para tela como sua rainha.
Então começa a busca de Sita por Rama e o encontro deste com seu maior devoto o macaco da raça Vanara chamado Hanuman, que na verdade é filho de Vayu o deus do vento.
Rama segue então com ajuda de um exercito de animais vai até o reino de Lanka e com uma ponte de pedra cruza o mar e derrota Ravana e seus seguidores retornando a Ayodhya, e já tendo passado os 14 anos do exílio e coroado rei.
Mas a história não acaba ai, Rama por ser seguidor ideal dos deveres do dharma se vê em um dilema, um rei nunca pode ser mal visto pelos seus súditos, e Rama ao sair disfarçado pelas ruas de Sua cidade descobre que era mal visto por aceitar sua mulher (Sita ) mesmo esta tendo vivido na companhia de outro homem.
Rama mesmo sabendo que Sita era inocente (Sita havia se submetido ao fogo mas este não a causou dano algum pois Agni, o deus do fogo não encontrou mácula alguma em Sita) mas o povo não sabia disso, e foi obrigado a separar-se dela e a enviou par o Ashram de Valmiki (o escritor do Ramayana) onde ela teve os dois filhos de Rama chamados Lava e Kusha.
Rama e Sita passam os restos de seus dias tristes pela separação até que Sita se entrega novamente a mãe Terra (de onde havia nascido no local onde hoje é Janakpur no Nepal) e Rama após passar o reino a seus filhos encerra sua vida no rio e é seguido por todos os habitantes de Ayodhya.A história de Rama foi contada e recontada e é de estrema importância ainda hoje nos paises do sul e do sudeste asiático, onde mesmo nas cortes muçulmanas de Java e nas budistas da Tailândia e Camboja ainda é encenado com grande pompa por companhias de danças clássicas de grande reputação, a própria antiga capital da Tailândia se chama Ayutthaya (nome de Ayodhya em tailandês) e os reis tem até hoje o titulo de Rama, o rei atual Bhumibol Adulyadej também é conhecido como Rama IX.




Ayodhya hoje.


Dançarino como Hanuman em Bali

Rama e Lakshmana dança classica em Java, Indonésia.
Sita, Rama e Lakshmana sul da India.

Lakshmana Rama e Sita com Hanuman.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sri Ramanuja





















Hoje é comemorado o nascimento de Ramanujacarya que é um dos maiores expoentes da cultura vaishnava, considerado o principal acarya da Sri-sampradaya ( a linha de vaishnavas que se origina com Lakshimi Devi a esposa do Senhor).
Sri Ramanuja nasceu na vila de Sriperumbudur próximo a cidade sagrada de Kanchupuram no atual estado de Tamil Nadu, sul da Índia no ano de 1017 D.C.,
Como era comum na época em que a principal escola de filosofia na Índia era a de Sankaracharya de advaita-vedanta, que propõe que a verdade absoluta é nirguna ou seja sem qualidades (que Deus seja impessoal).
Ramanuja recebeu uma educação de grande nível por ser de família bharminica nesta escola filosófica de seu professor Yadava Prakasa nesta época também Ramanuja casou se com idade de 16 anos.
Os comentários de seu mestre dos Upanishads e outros textos do ponto de vista monástico desagradavam Ramanuja, ele preferia a concepção filosófica de bhakti (devoção), fazendo com que Ramanuja tivesse grandes desentendimentos com seu mestre, ao saber disso outro grande guru da Sri Sampradaya Srila Yamunacarya ficou interessado no jovem Ramanuja o que fez com que ele saísse de Srirangam (o grande centro do Sri Vaishnavismo, e principal templo de Vishnu em Tamil Nadu )e fosse até Kanchi.
Yamunacarya observava Ramanuja em segredo e vendo como ele explicava bem a filosofia vaishnava decidiu que queria Ramanuja como seu sucessor, Yamunacarya então pediu a um discípulo que fizesse arranjos para levar Ramanuja até Sri Rangam onde o treinaria para ser seu sucessor, mas o destino quis de outra maneira e Yamunacarya abandonou o corpo antes da chegada de Ramanuja.
Chegando em Sri Rangam, Ramanuja foi prestar homenagens perante o corpo do grande mestre e viu que três dedos do mão direita de Yamunacarya estavam dobrados com firmeza na palma de sua mão, quando perguntara a Ramanuja o por que, este disse que Yamunacarya tinha três desejos a serem cumpridos, Ramanuja entendeu o recado do grande mestre e pronunciu três votos:
1- Entrar para o Vaishnavismo e se devotar para elevar a humanidade pela pregação de que devemos nos render à Deus, um dos dedos de Yamunacarya então se abriu.
2- Coletar todos os ensinamentos dos acaryas vaishnavas acerca dos Vedas e fazer um comentário do Vedanta-sutra e estabelecer um caminho para a salvação possível a todos, o segundo dedo do acarya se abriu.
3- Perpetuar o nome de Parasara Muni que no Vishnu-purana, revela a posição de Deus como Sri Vishnu, Sua relação com as almas e com este mundo e o caminha da liberação, o terceiro dedo do acarya se abriu e sua mão ficou totalmente aberta.
Ramanuja então foi iniciado no Sri Vaishnavismo por Mahapura de acordo com os rituais de panca–sanskaras, algum tempo depois ele faz o voto de renúncia e se torna sannyasi por volta dos 32 anos.
Depois com certo esforço e varias tentativas, Ramanuja consegue ser iniciado por Gosti Purna no mantra mais sagrado da Sri Sampradaya o om namo narayanaya, logo após a iniciação Ramanuja vai até o templo de Tirukkottyiar e sobre uma de suas torres (gopuras) ensina o mantra e os ensinamentos de Gosti Purna a qualquer um que quiser ouvir, ao saber disso Gosti Purna fica irado e amaldiçoa Ramanuja ao inferno, Ramanuja aceita a maldição e diz que com os ensinamentos de Gosti Purna farão com que todos consigam Moksa (liberação) então se por ensinar isso ele tiver de ir para o inferno ele iria de bom grado, ao ouvir a explicação de Ramanuja, Gosti Purna fica satisfeito e o abençoa, Ramanuja tinha passado no teste.
Nesta fase Ramanuja começa suas pregações estava com cerca de 40 anos e dedicou os próximos 80 a pregar e escrever sobre filosofia vaishnava.
Começou a viajar por toda Índia, foi até o norte passando por inúmeros locais sagrados convertendo templos do estilo de adoração impersonalista de advaita vedanta para o Vaishnava pancaratra, no caminho de volta ao sul passou por Tirupati em Andrapradesh e chegou em meio a uma discussão entre Vaishnavas e Shaivas (devotos de Shiva) que estavam em desacordo de que a deidade de Deus em Tirupati era de Vishnu ou de Shiva, então Ramanuja propôs para que deixassem a própria deidade decidir, então levaram os ornamentos de Vishnu ( disco e búzio) e de Shiva (tridente e antílope) e colocaram aos pés da deidade e fecharam a sala do altar passando a noite em oração perante a porta, de manhã ao abrirem a porta a deidade portava os ornamentos de Vishnu e desde então Ela é devidamente adorada como Sri Vishnu.
Outro passatempo interessante neste templo com Ramanuja é que um brahmacari (monge celibatário) discípulo seu caiu de encantos por uma mulher e clamava que ninguém tinha olhos mais belos que os dela. Ramanuja disse que conhecia alguém que tinha olhos muito mais belos que os dela e o brahmacari não acreditou, então Ramanuja falou que mostraria esta pessoa no templo a noite para o brahmacari, reunidos perante a deidade o brahmacari esperava a tal pessoa de olhos encantadores do lado de Ramanuja então durante o arati, enquanto esperavam, ao sinal de Ramanuja o sacerdote oferece a lamparina próximo ao rosto de Vishnu Venkateswara e a deidade que tem sempre os olhos fechados os abre e olha para o brahmacari que cai desmaiado de êxtase (não é para menos) e este esquece de vez a tal mulher.
Ramanuja então volta para Sri Rangam, nesta época sobe ao trono o raja Kulotunga I que tinha a idéia de converter todo seu reino ao shivaismo nem se fosse a força, o rei então envia um intimato a Ramanuja para que ele deixe sua fé ou se prepare para sofrer as conseqüências, Ramanuja manda dois discípulos tentar a paz mais o rei se nega e arranca os olhos dos mensageiros de Ramanuja, que então decide se exilar e vai para Mysore (no estado de Karnataka), onde rei de Batthi Deva fica muito feliz por ter Ramanuja no seu reino e se torna discípulo do mestre, por sua ordem vários templos de Vishnu foram construídos na região em especial o templo de Melkote que até hoje é um grande centro Vaishnava.
Após um tempo o rei de Tamil morre e os devotos de Sri Rangam chamam Sri Ramanuja de volta ao lar, onde completa o Sri Bhasya, o famoso comentário vaishnava dos Vedanta-sutras se opondo a filosofia de Sankara , proclamando ao mundo a devoção e a rendição a Vishnu (Deus), todos os acaryas que vieram após tem um débito com Ramanuja que continuou em Sri Rangam até atingir a idade de 120 anos e durante a sua vida iniciou 700 sannyasis , 12.000 brahmacaris, 300 ketti ammais (sannyasinis), alem de chefes de família e reis de todas as castas.
Seu corpo (terceira foto) ainda se conserva hoje no seu samadhi em Sri Rangam a vista de todos sentado em posição de lótus com a mão abençoando os devotos que lhe prestam homenagens, conservado por meio de camadas de especiarias e outros produtos, Ramanuja teve 3 deidades suas feitas durante sua vida como a de sua cidade natal Sriperumbudur (nas fotos sobre Ananta Sesha com jóias) e também é considerado a encarnação de Ananta Sesha a grande serpente que serve de cama para Sri Vishnu

sexta-feira, 27 de março de 2009

ಉಡುಪಿ Udupi



Udupi ಉಡುಪಿ é uma cidade no estado de Karnataka no sul da Índia que tem como principal atração a Udupi Sri Krishna Mutt fundado por Srila Madhwacarya, principal expoente da filosofia vaishnava de Dvaita vedanta.
Os serviços do templo são feitos pelas Ashta Mathas ou oito mathas, cada uma das Mathas tem um swami (mestre) e serve a deidade por dois anos (só os sannyasis adoram a deidade), e após os dois anos o serviço passa para outra matha por rodízio em uma grande festa chamada Paryaya.
As mathas são Pejavara, Puttige, Palimaru, Adamaru, Sodhe, Kaniyooru, Shirur e Krishnapura, que ficam em aldeias próximas a cidade de Udupi todas fundadas por Madhwacarya.
A Udupi Matha é conhecida mundialmente pelas tradições, costumes religiosos, e o ensino de filosofia vaishnava, além da Daasha Sahitya um forma literária típica de Udupi.
A deidade principal do templo, Sri Udupi Krishna, era adorado pelas rainhas de Krishna em Dwaraka, e após a submersão da cidade a deidade ficou muito tempo longe dos olhos mortais.
Até que um dia no mar em Malpe próximo a Udupi houve uma grande tempestade, Sri Madhvacharya estava na praia e viu um barco comercial a deriva e os marinheiros em perigo. Como Madhwa é uma encarnação de Sri Hanumam e Bhima ele era dotado de grande força, atirou-se no mar e conseguiu com uma corda puxar o navio a salvo até a praia. Os marilheiros muito agradecidos ofereceram qualquer coisa que Madhwacarya quisesse e como o navio vinha da região de Dwaraka trazia uma grande pedra de gopi-chandana (argila usada por vaishnavas para fazer a udhva pundra ou a tilaka) que Madhwa pediu como presente, ao tentar dividir a pedra a imagem de Krishna apareceu no meio da gopi-chandana então Madhwa instalou a deidade com toda a pompa em Udupi e confiou a adoração aos seus 8 discípulos e consequentemente as oito mathas.
A deidade é pequena cerca de 65 cm de altura e representa Krishna como criança carregando uma grande colher de fazer manteiga numa mão e uma corda na outra, a deidade recebe adoração 14 (isso mesmo quatorze) vezes ao dia, além dos festivais anuais, além dos quase diários Ratha Yatras (festival de carruagens), isso mesmo gente quase todo dia tem ratha Yatra em Udupi com três carros e dos grandes, além do festival de barco no lago do templo (chato né).
Um dos devotos mais conhecidos deste templo além de Madhwa é Kanaka Dasa, que pertencia a uma família de baixa casta e por este motivo não podia entrar no templo para ver a deidade (Darshana) ,por este motivo ele pegava sua tambura (instrumento musical de cordas) e sentava se a olhar para a parede que separava ele do altar do lado de fora do templo, a parede era um obstaculo para a visão física mas quem disse que um devoto puro não vê Krishna em todo lugar e através do coração?
Após muitos dias Kanaka não deixava de ter seu “darshana” com Krishna até que uma noite durante o arati a parede se rompeu e Krishna se mostrou como deidade a Seu devoto, reconhecendo o desejo do Senhor os administradores do templo fizeram uma janela no local para Kanaka ver seu Senhor adorável e até hoje é tradição que se tem o darshana primeiramente por esta janela antes de ir para a sala do templo (segunda foto acima).
Outra historia conectada a Kanaka é que um dia ele tinha um bolo feito de arroz assada para comer e ao olhar para a parede da cozinha do templo viu que caia um pouco de mingau de arroz por um buraco então pegando a casca de um coco ele apanhou um pouco do mingau colocou o bolo de arroz e foi até a frente do templo e ofereceu a Krishna depois disso ele comeu.
O sumo sacerdote da época Sri Vadiraja Tirtha que é muito elevado espitualmente sentiu que aquela oferenda deixou Krishna muito satisfeito e chamando seus discípulos glorificou Kanaka Dasa e instituiu que daquele dia em diante seria feito diariamente uma oferenda de mingau e bolo de arroz em honra a Kanaka pois sua oferenda simples foi muito mais valioso a Krishna que os pratos elaborados feito pelos brahmanas do templo.
Outro aspecto único de Udupi é que os devotos de lá usam dothis muito coloridos , verdes, amarelos, roxo as cores são sempre fortes.
Outro ponto importante do meu ponto de vista é que Udupi e o quartel general da Madhwa sampradaya (linha de sucessão discipular) da qual eu como Brahma Madhwa Gaudiya Vaishnava por misericórdia de meu guru Sri Jayapataka Swami tenho muito orgulho de fazer parte.
Muito mais poderia ser falado sobre as glórias de Udupi e os devotos de lá além de outros templos importantes como o de Shiva Murudeswara por exemplo mais ai ficará um pouco comprido demais o post.
Namaskar

Sri Udupi Krishna
Gopura do templo

Devotos




Porta enfeitada nos festivais


Lakshimi de Udupi


Devotos puxando Ratha

Ratra Yatra

Lago do templo
Kanaka grande devoto de Krishna

Carro de Udupi

quinta-feira, 26 de março de 2009

Devoção caseira




Imagina-se que toda residência védica tenha um local para a adoração diária, que pode ser desde alguns quadros ou posteres até uma sala reservada para este fim ou até mesmo um templo particular.
Eu tento me encaixar do esquema e lá em casa tenho meu altar onde faço meu puja diário.
Recentemente consegui uma deidade que já queria a algum tempo, uma forma de Durga Devi mas especificamente uma forma conhecida como Vishnu Durgai, que representa Durga como Shakti (yoga maya) e irmã de Vishnu ( como Subadra irmã de Krishna).
É feita em madeira no sul da Índia de uma forma tradicional carrega o shanka (búzio), chakra (disco) em conexão com Vishnu, espada(o conhecimento e as amarras que este conhecimento corta) e pote de néctar ( Prema bhakti) em suas quatro mãos.
Agora só falta um Vishnu com 1 metro de altura acompanhado de Lakshimi e Bhumi to aceitando de presente rs.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sri Radhika Rani




Lembrei da Rani original Senhora de tudo e de todos até de Sri Krishna e estou com a foto acima como fundo no meu computador, acho linda esta foto Sri Radha do templo de Sri Sri Radha Krisnachandra Bangalore no Sul da Índia.


Nas fotos Sri radha está como uma rainha e não como gopi , opulenta não.

Rani Lakshmi Bai de Jhansi
























Muitas pessoas pensam que a mulher hindu por ter ideais de castidade também é submissa e pacata vivendo a sombra dos homens.
Nada disso, só analisar os exemplos da vida de mulheres como Kunti ou Draupati do Mahabharata, Mira Bhai ou a Rainha de Jhansi em meados de 1800 , conhecida como Lakshimi Bai.
Lakshimi Bai que originalmente se chamava Manikarnika , nasceu num família brahmana em Varanasi, educada em casa da forma tradicional ele se casou com o Raja de Jhansi ( um reino hindu na Índia central) Gangadhar Rao, aos 14 anos de idade.
O seu primeiro e único filho morreu quatro meses após o parto, o que levou o casal real a adotar um menino de nome Damodara Rao. Aos 18 anos ela se tornou viúva e tomou o controle do trono de Jhansi, por ter sempre espírito desportivo era conhecedora das artes da guerra com isso fez com que fosse treinado um contingente feminino que tornou-se sua guarda pessoal.
Usando a “Doutrina do Lapso” (ou seja que um reino não tivesse descendente direto ao trono cairia em mãos da Companhia das Índias Orientais) os ingleses apossaram-se do reino e ordenaram que ele deixasse o palácio, por não aceitar o filho adotivo e uma mulher no trono.
Quando estourou o Motim Indiano, Lakshimi Bai junto com rebeldes, sua guarda feminina, e outros guerreiros notáveis defenderam o reino de Jhansi da invasão inglesa no ano de 1858, após um grande cerco Jhansi caiu e Lakshimi Bai fugiu para Gwalior.
Após uma batalha para a retomada do forte de Gwalior que tinha sido entregue pelo Raja de Gwalior aos ingleses após os soldados do Raja desertarem.
Em Gwalior os rebeldes e a rainha resistiram contra os ingleses que cercaram o forte, e após dois dias de batalha Lakshimi Bai foi morta no campo de batalha, três dias após sua morte os ingleses dominaram o forte e os rebeldes foram mortos, seu pai foi capturado e enforcado nos muros da cidade de Jhansi.
Dizem que ela morreu sobre o cavalo segurando as rédeas com os dentes e com escudo e espada na mão com o filho pequeno preso atrás dela, o general inglês Sir Hugh Rose disse que ela foi a “melhor e mais brava” entre os rebeldes, por causa de seus sacrifícios e bravura ela foi considerada um ícone na Índia, um símbolo para a liberdade e exemplo para as mulheres hindus, a Joana DÁrc da Índia.
Hoje existem duas estátuas de bronze em sua homenagem em Gwalior e em Jhansi.
Ou seja, castidade e religiosidade não são sinônimos de submissão e letargia.
Rani Lakshimi Bai ki jay.
Viva a todas as mulheres hindus que mantém vivas as tradições desta cultura eterna.