segunda-feira, 30 de março de 2009

Sri Ramanuja





















Hoje é comemorado o nascimento de Ramanujacarya que é um dos maiores expoentes da cultura vaishnava, considerado o principal acarya da Sri-sampradaya ( a linha de vaishnavas que se origina com Lakshimi Devi a esposa do Senhor).
Sri Ramanuja nasceu na vila de Sriperumbudur próximo a cidade sagrada de Kanchupuram no atual estado de Tamil Nadu, sul da Índia no ano de 1017 D.C.,
Como era comum na época em que a principal escola de filosofia na Índia era a de Sankaracharya de advaita-vedanta, que propõe que a verdade absoluta é nirguna ou seja sem qualidades (que Deus seja impessoal).
Ramanuja recebeu uma educação de grande nível por ser de família bharminica nesta escola filosófica de seu professor Yadava Prakasa nesta época também Ramanuja casou se com idade de 16 anos.
Os comentários de seu mestre dos Upanishads e outros textos do ponto de vista monástico desagradavam Ramanuja, ele preferia a concepção filosófica de bhakti (devoção), fazendo com que Ramanuja tivesse grandes desentendimentos com seu mestre, ao saber disso outro grande guru da Sri Sampradaya Srila Yamunacarya ficou interessado no jovem Ramanuja o que fez com que ele saísse de Srirangam (o grande centro do Sri Vaishnavismo, e principal templo de Vishnu em Tamil Nadu )e fosse até Kanchi.
Yamunacarya observava Ramanuja em segredo e vendo como ele explicava bem a filosofia vaishnava decidiu que queria Ramanuja como seu sucessor, Yamunacarya então pediu a um discípulo que fizesse arranjos para levar Ramanuja até Sri Rangam onde o treinaria para ser seu sucessor, mas o destino quis de outra maneira e Yamunacarya abandonou o corpo antes da chegada de Ramanuja.
Chegando em Sri Rangam, Ramanuja foi prestar homenagens perante o corpo do grande mestre e viu que três dedos do mão direita de Yamunacarya estavam dobrados com firmeza na palma de sua mão, quando perguntara a Ramanuja o por que, este disse que Yamunacarya tinha três desejos a serem cumpridos, Ramanuja entendeu o recado do grande mestre e pronunciu três votos:
1- Entrar para o Vaishnavismo e se devotar para elevar a humanidade pela pregação de que devemos nos render à Deus, um dos dedos de Yamunacarya então se abriu.
2- Coletar todos os ensinamentos dos acaryas vaishnavas acerca dos Vedas e fazer um comentário do Vedanta-sutra e estabelecer um caminho para a salvação possível a todos, o segundo dedo do acarya se abriu.
3- Perpetuar o nome de Parasara Muni que no Vishnu-purana, revela a posição de Deus como Sri Vishnu, Sua relação com as almas e com este mundo e o caminha da liberação, o terceiro dedo do acarya se abriu e sua mão ficou totalmente aberta.
Ramanuja então foi iniciado no Sri Vaishnavismo por Mahapura de acordo com os rituais de panca–sanskaras, algum tempo depois ele faz o voto de renúncia e se torna sannyasi por volta dos 32 anos.
Depois com certo esforço e varias tentativas, Ramanuja consegue ser iniciado por Gosti Purna no mantra mais sagrado da Sri Sampradaya o om namo narayanaya, logo após a iniciação Ramanuja vai até o templo de Tirukkottyiar e sobre uma de suas torres (gopuras) ensina o mantra e os ensinamentos de Gosti Purna a qualquer um que quiser ouvir, ao saber disso Gosti Purna fica irado e amaldiçoa Ramanuja ao inferno, Ramanuja aceita a maldição e diz que com os ensinamentos de Gosti Purna farão com que todos consigam Moksa (liberação) então se por ensinar isso ele tiver de ir para o inferno ele iria de bom grado, ao ouvir a explicação de Ramanuja, Gosti Purna fica satisfeito e o abençoa, Ramanuja tinha passado no teste.
Nesta fase Ramanuja começa suas pregações estava com cerca de 40 anos e dedicou os próximos 80 a pregar e escrever sobre filosofia vaishnava.
Começou a viajar por toda Índia, foi até o norte passando por inúmeros locais sagrados convertendo templos do estilo de adoração impersonalista de advaita vedanta para o Vaishnava pancaratra, no caminho de volta ao sul passou por Tirupati em Andrapradesh e chegou em meio a uma discussão entre Vaishnavas e Shaivas (devotos de Shiva) que estavam em desacordo de que a deidade de Deus em Tirupati era de Vishnu ou de Shiva, então Ramanuja propôs para que deixassem a própria deidade decidir, então levaram os ornamentos de Vishnu ( disco e búzio) e de Shiva (tridente e antílope) e colocaram aos pés da deidade e fecharam a sala do altar passando a noite em oração perante a porta, de manhã ao abrirem a porta a deidade portava os ornamentos de Vishnu e desde então Ela é devidamente adorada como Sri Vishnu.
Outro passatempo interessante neste templo com Ramanuja é que um brahmacari (monge celibatário) discípulo seu caiu de encantos por uma mulher e clamava que ninguém tinha olhos mais belos que os dela. Ramanuja disse que conhecia alguém que tinha olhos muito mais belos que os dela e o brahmacari não acreditou, então Ramanuja falou que mostraria esta pessoa no templo a noite para o brahmacari, reunidos perante a deidade o brahmacari esperava a tal pessoa de olhos encantadores do lado de Ramanuja então durante o arati, enquanto esperavam, ao sinal de Ramanuja o sacerdote oferece a lamparina próximo ao rosto de Vishnu Venkateswara e a deidade que tem sempre os olhos fechados os abre e olha para o brahmacari que cai desmaiado de êxtase (não é para menos) e este esquece de vez a tal mulher.
Ramanuja então volta para Sri Rangam, nesta época sobe ao trono o raja Kulotunga I que tinha a idéia de converter todo seu reino ao shivaismo nem se fosse a força, o rei então envia um intimato a Ramanuja para que ele deixe sua fé ou se prepare para sofrer as conseqüências, Ramanuja manda dois discípulos tentar a paz mais o rei se nega e arranca os olhos dos mensageiros de Ramanuja, que então decide se exilar e vai para Mysore (no estado de Karnataka), onde rei de Batthi Deva fica muito feliz por ter Ramanuja no seu reino e se torna discípulo do mestre, por sua ordem vários templos de Vishnu foram construídos na região em especial o templo de Melkote que até hoje é um grande centro Vaishnava.
Após um tempo o rei de Tamil morre e os devotos de Sri Rangam chamam Sri Ramanuja de volta ao lar, onde completa o Sri Bhasya, o famoso comentário vaishnava dos Vedanta-sutras se opondo a filosofia de Sankara , proclamando ao mundo a devoção e a rendição a Vishnu (Deus), todos os acaryas que vieram após tem um débito com Ramanuja que continuou em Sri Rangam até atingir a idade de 120 anos e durante a sua vida iniciou 700 sannyasis , 12.000 brahmacaris, 300 ketti ammais (sannyasinis), alem de chefes de família e reis de todas as castas.
Seu corpo (terceira foto) ainda se conserva hoje no seu samadhi em Sri Rangam a vista de todos sentado em posição de lótus com a mão abençoando os devotos que lhe prestam homenagens, conservado por meio de camadas de especiarias e outros produtos, Ramanuja teve 3 deidades suas feitas durante sua vida como a de sua cidade natal Sriperumbudur (nas fotos sobre Ananta Sesha com jóias) e também é considerado a encarnação de Ananta Sesha a grande serpente que serve de cama para Sri Vishnu

sexta-feira, 27 de março de 2009

ಉಡುಪಿ Udupi



Udupi ಉಡುಪಿ é uma cidade no estado de Karnataka no sul da Índia que tem como principal atração a Udupi Sri Krishna Mutt fundado por Srila Madhwacarya, principal expoente da filosofia vaishnava de Dvaita vedanta.
Os serviços do templo são feitos pelas Ashta Mathas ou oito mathas, cada uma das Mathas tem um swami (mestre) e serve a deidade por dois anos (só os sannyasis adoram a deidade), e após os dois anos o serviço passa para outra matha por rodízio em uma grande festa chamada Paryaya.
As mathas são Pejavara, Puttige, Palimaru, Adamaru, Sodhe, Kaniyooru, Shirur e Krishnapura, que ficam em aldeias próximas a cidade de Udupi todas fundadas por Madhwacarya.
A Udupi Matha é conhecida mundialmente pelas tradições, costumes religiosos, e o ensino de filosofia vaishnava, além da Daasha Sahitya um forma literária típica de Udupi.
A deidade principal do templo, Sri Udupi Krishna, era adorado pelas rainhas de Krishna em Dwaraka, e após a submersão da cidade a deidade ficou muito tempo longe dos olhos mortais.
Até que um dia no mar em Malpe próximo a Udupi houve uma grande tempestade, Sri Madhvacharya estava na praia e viu um barco comercial a deriva e os marinheiros em perigo. Como Madhwa é uma encarnação de Sri Hanumam e Bhima ele era dotado de grande força, atirou-se no mar e conseguiu com uma corda puxar o navio a salvo até a praia. Os marilheiros muito agradecidos ofereceram qualquer coisa que Madhwacarya quisesse e como o navio vinha da região de Dwaraka trazia uma grande pedra de gopi-chandana (argila usada por vaishnavas para fazer a udhva pundra ou a tilaka) que Madhwa pediu como presente, ao tentar dividir a pedra a imagem de Krishna apareceu no meio da gopi-chandana então Madhwa instalou a deidade com toda a pompa em Udupi e confiou a adoração aos seus 8 discípulos e consequentemente as oito mathas.
A deidade é pequena cerca de 65 cm de altura e representa Krishna como criança carregando uma grande colher de fazer manteiga numa mão e uma corda na outra, a deidade recebe adoração 14 (isso mesmo quatorze) vezes ao dia, além dos festivais anuais, além dos quase diários Ratha Yatras (festival de carruagens), isso mesmo gente quase todo dia tem ratha Yatra em Udupi com três carros e dos grandes, além do festival de barco no lago do templo (chato né).
Um dos devotos mais conhecidos deste templo além de Madhwa é Kanaka Dasa, que pertencia a uma família de baixa casta e por este motivo não podia entrar no templo para ver a deidade (Darshana) ,por este motivo ele pegava sua tambura (instrumento musical de cordas) e sentava se a olhar para a parede que separava ele do altar do lado de fora do templo, a parede era um obstaculo para a visão física mas quem disse que um devoto puro não vê Krishna em todo lugar e através do coração?
Após muitos dias Kanaka não deixava de ter seu “darshana” com Krishna até que uma noite durante o arati a parede se rompeu e Krishna se mostrou como deidade a Seu devoto, reconhecendo o desejo do Senhor os administradores do templo fizeram uma janela no local para Kanaka ver seu Senhor adorável e até hoje é tradição que se tem o darshana primeiramente por esta janela antes de ir para a sala do templo (segunda foto acima).
Outra historia conectada a Kanaka é que um dia ele tinha um bolo feito de arroz assada para comer e ao olhar para a parede da cozinha do templo viu que caia um pouco de mingau de arroz por um buraco então pegando a casca de um coco ele apanhou um pouco do mingau colocou o bolo de arroz e foi até a frente do templo e ofereceu a Krishna depois disso ele comeu.
O sumo sacerdote da época Sri Vadiraja Tirtha que é muito elevado espitualmente sentiu que aquela oferenda deixou Krishna muito satisfeito e chamando seus discípulos glorificou Kanaka Dasa e instituiu que daquele dia em diante seria feito diariamente uma oferenda de mingau e bolo de arroz em honra a Kanaka pois sua oferenda simples foi muito mais valioso a Krishna que os pratos elaborados feito pelos brahmanas do templo.
Outro aspecto único de Udupi é que os devotos de lá usam dothis muito coloridos , verdes, amarelos, roxo as cores são sempre fortes.
Outro ponto importante do meu ponto de vista é que Udupi e o quartel general da Madhwa sampradaya (linha de sucessão discipular) da qual eu como Brahma Madhwa Gaudiya Vaishnava por misericórdia de meu guru Sri Jayapataka Swami tenho muito orgulho de fazer parte.
Muito mais poderia ser falado sobre as glórias de Udupi e os devotos de lá além de outros templos importantes como o de Shiva Murudeswara por exemplo mais ai ficará um pouco comprido demais o post.
Namaskar

Sri Udupi Krishna
Gopura do templo

Devotos




Porta enfeitada nos festivais


Lakshimi de Udupi


Devotos puxando Ratha

Ratra Yatra

Lago do templo
Kanaka grande devoto de Krishna

Carro de Udupi

quinta-feira, 26 de março de 2009

Devoção caseira




Imagina-se que toda residência védica tenha um local para a adoração diária, que pode ser desde alguns quadros ou posteres até uma sala reservada para este fim ou até mesmo um templo particular.
Eu tento me encaixar do esquema e lá em casa tenho meu altar onde faço meu puja diário.
Recentemente consegui uma deidade que já queria a algum tempo, uma forma de Durga Devi mas especificamente uma forma conhecida como Vishnu Durgai, que representa Durga como Shakti (yoga maya) e irmã de Vishnu ( como Subadra irmã de Krishna).
É feita em madeira no sul da Índia de uma forma tradicional carrega o shanka (búzio), chakra (disco) em conexão com Vishnu, espada(o conhecimento e as amarras que este conhecimento corta) e pote de néctar ( Prema bhakti) em suas quatro mãos.
Agora só falta um Vishnu com 1 metro de altura acompanhado de Lakshimi e Bhumi to aceitando de presente rs.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sri Radhika Rani




Lembrei da Rani original Senhora de tudo e de todos até de Sri Krishna e estou com a foto acima como fundo no meu computador, acho linda esta foto Sri Radha do templo de Sri Sri Radha Krisnachandra Bangalore no Sul da Índia.


Nas fotos Sri radha está como uma rainha e não como gopi , opulenta não.

Rani Lakshmi Bai de Jhansi
























Muitas pessoas pensam que a mulher hindu por ter ideais de castidade também é submissa e pacata vivendo a sombra dos homens.
Nada disso, só analisar os exemplos da vida de mulheres como Kunti ou Draupati do Mahabharata, Mira Bhai ou a Rainha de Jhansi em meados de 1800 , conhecida como Lakshimi Bai.
Lakshimi Bai que originalmente se chamava Manikarnika , nasceu num família brahmana em Varanasi, educada em casa da forma tradicional ele se casou com o Raja de Jhansi ( um reino hindu na Índia central) Gangadhar Rao, aos 14 anos de idade.
O seu primeiro e único filho morreu quatro meses após o parto, o que levou o casal real a adotar um menino de nome Damodara Rao. Aos 18 anos ela se tornou viúva e tomou o controle do trono de Jhansi, por ter sempre espírito desportivo era conhecedora das artes da guerra com isso fez com que fosse treinado um contingente feminino que tornou-se sua guarda pessoal.
Usando a “Doutrina do Lapso” (ou seja que um reino não tivesse descendente direto ao trono cairia em mãos da Companhia das Índias Orientais) os ingleses apossaram-se do reino e ordenaram que ele deixasse o palácio, por não aceitar o filho adotivo e uma mulher no trono.
Quando estourou o Motim Indiano, Lakshimi Bai junto com rebeldes, sua guarda feminina, e outros guerreiros notáveis defenderam o reino de Jhansi da invasão inglesa no ano de 1858, após um grande cerco Jhansi caiu e Lakshimi Bai fugiu para Gwalior.
Após uma batalha para a retomada do forte de Gwalior que tinha sido entregue pelo Raja de Gwalior aos ingleses após os soldados do Raja desertarem.
Em Gwalior os rebeldes e a rainha resistiram contra os ingleses que cercaram o forte, e após dois dias de batalha Lakshimi Bai foi morta no campo de batalha, três dias após sua morte os ingleses dominaram o forte e os rebeldes foram mortos, seu pai foi capturado e enforcado nos muros da cidade de Jhansi.
Dizem que ela morreu sobre o cavalo segurando as rédeas com os dentes e com escudo e espada na mão com o filho pequeno preso atrás dela, o general inglês Sir Hugh Rose disse que ela foi a “melhor e mais brava” entre os rebeldes, por causa de seus sacrifícios e bravura ela foi considerada um ícone na Índia, um símbolo para a liberdade e exemplo para as mulheres hindus, a Joana DÁrc da Índia.
Hoje existem duas estátuas de bronze em sua homenagem em Gwalior e em Jhansi.
Ou seja, castidade e religiosidade não são sinônimos de submissão e letargia.
Rani Lakshimi Bai ki jay.
Viva a todas as mulheres hindus que mantém vivas as tradições desta cultura eterna.

terça-feira, 17 de março de 2009

Sri Kurman




Deidade de Sri Kurmadeva










A cidade de Sri Kurman no estado de Andra Pradesh no sul da Índia, abriga o único templo dedicado a Kurma Avatara em atividade na Índia hoje.
Kurma é o segundo avatara (“aquele que desce” uma encarnação de Dus na Terra) de Sri Vishnu na forma de uma tartaruga que veio para servir como apoio para montanha Mandara usada na batedura do oceano de leite por deuses e demônios.
Diz a história que uma vez Ramanujacarya foi levado de Jagannatha Puri no estado de Orissa para Sri Kurman em Andra por Garuda por ordem de Sri Jagannatha, chegando na cidade ele viu que estavam adorando a sila de Kurma como uma linga de Shiva, após arrumar o engano, fez com que fosse instituída uma grande adoração a Sri Vishnu como Kurmadeva no local.
O templo fica numa cidade pequena e isolada pouquíssima conhecida por ocidentais, tem fundações que datam do ano de 200 D.C. e o templo atual tem cerca de 700 anos. A Deidade de Kurma é auto-manifesta e tem cerca de 70 cm de comprimento e está no chão e são como um casco e a cabeça de uma tartaruga. No Garbha-griha ou sala do altar a deidade de Kurma é ladeada por deidades de Sita, Rama e Lakshmana e do outro lado por Govindaraja (Krishna) Rukmini e Satyabhama.
O templo é uma mistura do estilo dos estados de Orissa e Drávida do sul, está as margens de um lago chamado Swatha Puskarini e é voltado como costume para o leste, mais a deidade de Kurmadeva está voltada para o oeste. A razão disso se deve a um grande devoto vaishnava chamado Bilvamangala Thakura autor do Krishna-karnamrita, orou com tanta sinceridade e devoção encostado na parede oeste, contraria a entrada, que a deidade de Kurma voltou a cabeça para olhar para Seu devoto.
Bilvamangala Thakura foi enterrado num templo dedicado a ele dentro do complexo e a sua deidade tem quatro braços (por ele ser um associado de Vishnu e habitante de Vaikuntha , a morada de Vishnu).
O maior festival do templo acontece por meados de Fevereiro, o local foi visitado por Sri Chaitanya Mahaprabhu em Sua viajem pela Índia.
No templo também existe um altar dedicado a Yogananda Narasimham, e é cuidado por vaishnavas da linha de Madhwacarya.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Yantra

Devi e seu yantra tridimensional sendo instalados em templo nos EUA.
Yantra de Sri Krishna.

Sri Yantra.

Um devata (deidade) pode ser manifesto neste mundo principalmente de três formas (digo principalmente, pois se der na cabeça ela ou ele descer por estes lados, vai descer) mantras, yantras ou uma murthi (escultura ou símbolo).
Os yantras, que podemos traduzir como “instrumento”, seriam como uma manifestação física de um mantra, uma forma anicônica de representar algo, formado a partir de linhas geométricas em torno de um ponto central ou bindu onde o sadhaka (ou o que faz o sadhana ou cultivo diário de praticas espirituais) se concentra para meditação, o próprio ato de fazer um yantra é uma prática de meditação.
O yantra a partir de do bindu (ponto) em seu centro flui em formas geométricas principalmente triângulos apontados para cima (masculino) e para baixo (feminino), quadrados, círculos e formas florais principalmente o lótus (que representa a pureza), além de símbolos auspiciosos como swasticas, e mantras bijas (sementes ou mantras compactos) das deidades representadas.
Além de deidades os yantras podem representar o universo e seus planos, níveis de consciência, e corpos celestes.
Em muitos dos grandes templos da Índia, apesar de a maioria das pessoas olharem para a imagem no altar, o ritual todo de adoração é feito para o Yantra, exemplos são o templo de Shiva Nataraja em Chindambaram e o de Kamakshi (Parvati) em Kanchipuram, onde as duas deidades são adoradas na forma de um yantra feito sobre um rubi incrustado no piso do altar.
Os yantras as vezes também são representados de forma tridimensional seja em escultura ou arquitetura ( o maior exemplo é o templo budista de Borobudur em Java na Indonésia) que forma o monte Meru o pináculo do Universo, o yantra mais famoso é o Sri Yantra que representa Tripurasundari uma forma de Devi, formado por nove triângulos que se subdividem em 43 triângulos menores, cercados de um lótus, que formam nove níveis com muitos significados.
Foto aérea de Borobudur.

terça-feira, 10 de março de 2009

FELIZ GOURA PURNIMA


To na correria aqui, mas da tempo de desejar um feliz Goura Purnima a todos a grande lua cheia dourada, 523 anos do apareciomento da Suprema Personalidade de Deus Sri Krishna Caitanya Mahaprabhu!!!
Hari Hari Bol

segunda-feira, 9 de março de 2009

Devadasis dançarinas sagradas.

Devadasis sul da Índia 1920


Devadasi de Puri , abaixo passando para novas geraçoes.
















As Devadasis são uma tradição muito antiga que praticamente desapareceu da Índia hoje.
Elas eram mulheres que eram oferecidas aos templos e ritualmente casadas com a deidade a qual serviam, antigamente era uma pratica comum aos templos principalmente os mais opulentos, mas com o declínio dos reinos hindus e a degeneração do estilo de vida a prática se poluiu e de mulheres de grande estatus social e conhecimento sagrado começaram a ser tratadas como prostitutas.
As devadasis originalmente eram garotas entregues ao templo quando crianças e eram treinadas em danças clássicas, sânscrito, poesia, pintura e rituais, eram de extrema sofisticação e refinamento e tinham grande status na sociedade, como eram casadas com a deidade e por este motivo era uma mulher “sempre auspiciosa” pois nunca ficaria viúva, seus serviços eram imprescindíveis para os ritos do templo.
Não se sabe ao certo de quando a prática do serviço das devadasis começou, mas em vários Puranas se encontram citações acerca as devadasis , além de também na literatura sânscrita antiga como nos poemas de Kalidasa.
As devadasis da antiguidade e do período medieval eram brahmacharinis (virgens) que dedicavam suas vidas o serviço do templo e de Deus, inclusive algumas princesas ingressavam na vida de devadasis até por volta do século X.
Enquanto mais rico o templo maior era o numero de devadasis que ele sustentava , o templo de Brihadiswara em Tanjore no sul da Índia tinha 500 em sua inauguração em 1010 D.C, o Somanath tinha o mesmo número antes da sua destruição por parte dos muçulmanos só para citar exemplos.
Um local onde as devadasis nunca praticaram a prostituição foi o templo de Sri Jagannatha em Puri, onde são chamadas Maharis, é esperado que mantenham a castidade por todo o período em que sirvam as deidades.
O temo mahari significa “grande mulher que controla seus impulsos”e também vem Mohana (Krishna) Nari (mulher) ou mulher que pertence a Deus.
Sri Caitanya Mahaprabhu chama as devadasis de sevakis ou servas pois serviam a deidade com seu canto, dança e música. Com as invasões muçulmanas o pratica foi declinando e o papel da mulher (por influencia islâmica) foi mudando e elas perderam liberdade e parte de seu prestigio.
Em 1956 haviam apenas 9 devadasis no templo de Puri, em 1980 apenas 4, Haripriya, Kokilprabha, Paroshmoni and Shashimoni , hoje apenas Paroshmoni e Shashimoni estão vivas.
Em Puri nos últimos periodos documentados as devadasis dançam apenas duas vezes ao dia para a deidade, após o desjejum enquanto as deidades são vestidas e adornadas perante o público e quando as deidades vão para a cama, enquanto se canta o Gitagovinda, após isso elas anunciam que o Senhor está dormindo e os guardas fecham o templo.
Durante a dominação inglesa seres sem escrúpulos que falavam em nome do cristianismo (em plena Índia! menos , até hoje para cristãos nos hindus somos demônios sem alma, pagãos e idólatras , com muito orgulho!!!) eram feito debates onde se denegria a tradição a música e as danças clássicas ( que quase acabaram) e as devadasis foram proibidas de exercer suas funções, pois todas foram consideradas prostitutas o que denegria a moral cristã e o bons costumes!!! (matar na fogueira mulheres não denigre!!! ) , então para manter a tradição homens se vestiam de mulher para poder dançar nos templos e em locais escondidos.
Com o Hindu Revival Moviment (Movimento Revivacionista Hindu) com a ajuda na Sociedade Teosófica propagaram o revitalização das devadasis e junto com elas as artes clássicas e junto com uma elite nativa fizeram denuncias públicas contra a moral e o materialismo cristão, e junto com os esforços de muitos indivíduos conseguie-se salvar muitas formas de arte tradicional principalmente o Bharatanatyam, e o colocaram nas mãos de puras, castas e sagradas mulheres como era antigamente.
Madhavi Mudgal(foto acima) espoente do Odissi e de familia tradicional de artistas.

video

quinta-feira, 5 de março de 2009

कामदेव Kamadeva

Kama atira flecha em Shiva, templo khmer Camboja














Pelo pedido de Doyal lá vai.
Kamadeva कामदेव, não é apenas a divindade que controla o amor e o erotismo como é comumente descrito, ele tem um papel muito mais importante no universo.
Conhecido por vários nomes como Ragavrinda ( ramo da paixão), Ananga (incorpóreo), Kandarpa (o que inflama até os deuses), Manmatha (o que agita os corações), Manasija (O que nasce da mente), Madana (intoxicante), Ratikānta (senhor de Rati), Pushpavān, Pushpadhanva (o que tem flecha de flores) é filho de Sri Lakshmi (interessante notar que Eros é ligado a Vênus na tradição Grega), reencarna como Pradyaumna, filho de Sri Krishna e na sua forma no mundo espititual é o próprio Krishna, na tradição vaishnava (os brahmanas lembram disso três vezes ao dia). Sendo chamado de Vishnu (aquele que innade, penetra em tudo) no Vishnu Purana e no Bhagavata Purana (Srimad Bhagavatam 5.18.15), mas Kama como é mais conhecido geralmente significa desejo ou prazer principalmente ligado a sexualidade, ele é senhor de kama (um dos quatro Purusharthas: dharma , artha , kama e moksa).
Por sua ligação com Krishna é representado muito semelhante a Ele com pele escura (azul) com 16 anos de idade e carrega um arco feito de cana-de–açúcar e com a corda feita de abelhas, suas flechas são compostas de 5 tipos de flores: ashoka, lótus branco e azul, mallika e manga. Monta um papagaio, ave também ligada ao amor na cultura védica, sua principal consorte é Rati personificação do desejo sexual e filha de Daksha e a outra e Priti ou a afeição, outro acompanhante de Kamadeva é Vasantha, deidade da primavera.
Uma das mais antigas esculturas de Kama conhecida é uma que esta hoje no museu de Mathura a cidade natal de Krishna e é muito antiga.
Apesar de ser citado no Rig e Atharva Veda ( onde é citado como o impulso que levou à criação do mundo) a maioria de suas histórias é encontrada nos Puranas.
Segundo o Matsya Purana, Visnu-Krishna e Kamadeva têm uma relação histórica.
Krishna é às vezes adorado como Kamadeva na tradição Gaudiya vaishnava (a que eu sigo), Kamadeva foi diretamente fundido em Vasudeva-Krishna depois que ele (Kamadeva) foi queimado por Shiva. Nesta forma acredita-se que Kamadeva é um devata dos planetas celestíais especialmente capaz de induzir desejos. Este Kamadeva, depois que toma o seu nascimento do ventre de Rukmini - a esposa de Krishna, foi denominado Pradyumna, mas alguns sugerem que ele não seja o Pradyumna da categoria Vishnu ( junto com Sankarshana, Vasudeva e Aniruddha) e assim os Vaishnavas acreditam que ele pertence à categoria de jiva-tattva, ou almas, contudo devido a expor ao poder de Vishnu-tattva ( energia interna de Deus), ele ficou uma parte da energia de Pradyumna a forma de Vishnu. Como é explicado Gosvamis, que Kamadeva foi queimado a cinzas pela raiva de Shiva ( por este ter atirado uma flecha em Shiva para fazer com que o senhor Shiva se apaixonasse por parvati o que não surtiu efeito, irado por ter sido interrompido em Sua meditação Shiva reduziu Kamadeva a cinzas só com seu olhar) e depois fundido no corpo de Vishnu. E após isto para adquirir o seu corpo novamente ele foi colocado no ventre de Rukmini. Então porque ele foi procriado pelo próprio Krishna, as suas qualidades são semelhantes as de Krishna, como a sua cor, aparência e atributos.
Kamadeva também é ligado ao culto de Krishna por outros motivos principalmente em relação entre Krishna e as gopis, mais é um tópico muito extenso para ser colocado aqui, então fica ai uma dica para estudos dos que querem ir mais além leiam o Bhagavata Purana (Srimad Bhagavatam).
Até onde sei ( e não sei tanto assim como alguns imaginam) não existem templos dedicados a Kamadeva, muitos contém imagens suas e um templo dedicado a Devi no norte da Índia na cidade de Albaneri no Rajasthan tem uma deidade de Kamadeva em adoração.
Um mantra para Kamadeva:
namas te hema-garbhaya
namas te makara-dhvaja
ratikanta nams tubhyam
thahi mam sambarantaka
" Saldações ao de compleição dourada, cuja bandeira é um Makara (crocodilo), Ó destridor de Shambara, esposo da deusa do prazer sexual, seja benéfico ao meu favor"

Ta bom Doyal ?
Kama e Rati,coluna templo de Kamakshi Devi em Kanchipuram.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ashwameda Yajna




Alguém pediu para falar sobre o Ashwameda Yajna então lá vai.
Para comerçar, antes de mais nada é preciso dizer que TODA RELIGIÃO ANTIGA tem rituais de sacrifício, ou seja qualquer religião anterior a 600 A.C.
O Ashawmedha ou sacrifício de cavalo e um dos mais poderosos rituais védicos, feito no passado exclusivamente por Reis , tem sua descrição minuciosa no Yajur-Veda e comentários no Shatapatha Brahmana, além de ser citado também no Rig Veda , Puranas e nos Itihasas (Mahabharata e Ramayana).
Em primeiro lugar o Raja deveria conseguir um garanhão branco com idade entre 24 e 100 anos.
O cavalo deve ser então borrifado com água safrada enquanto um sacerdote e o sacrificante ( o Raja) recitam mantras no seu ouvido,então o cavalo e libertado virado para o noroeste para andar para onde ele quiser no período de um ano, quem atrapalhar o percurso do cavalo e ritualmente amaldiçoado e deverá ser feito um sacrifício para purgar o pecado.
Se acaso o cavalo passar para o reino que não seja do Raja oficiante do sacrifício então o rei deve conquistar este reino pois, o cavalo só pode pastar nas suas terras.
Durante este período o cavalo é servido por oficiais da corte ou príncipe que protegem o cavalo de perigo. E no palácio real uma ininterrupta série de cerimônias deve ser feita durante todo o período em que o cavalo estiver fora.
Então ao final de um ano o cavalo e trazido de volta a capital, onde são feitas varias cerimônias elaboradas e depois e colocado com mais três cavalos em uma carruagem dourada e hinos védicos são cantados na mais perfeita métrica, após isso e cavalo e banhado e untado com ghee pelas rainhas, depois decorado com jóias de ouro e alimentado com prasada (alimento santificado) de cerimônias de fogo feitas na noite anterior.
No dia certo de acordo com astrólogos onde ocorrerá o sacrifício o cavalo, uma cabra sem chifres, um antílope selvagem são amarrados em estacas sacrifíciais próximo ao fogo, e mais 17 animais são atados ao cavalo além de outros animais selvagens ou domésticos são atados todos dentro da arena de sacrifício num número que de acordo com as fontes védicas deve ser de 609 animais!!!
O cavalo é então sacrificado com o cantar de mantras do Yajur Veda, três rainhas principais então circundam o cavalo cantando mantras a e rainha principal encena um ato sexual com o cavalo morto deitada ao lado do cavalo enquanto as outra rainhas falam coisas de cunho sexual.
No dia posterior ao sacrifício cedo a rainha e retirada do lado do cavalo de onde passou a noite com mantras para purificação e junto com as outras rainhas com agulhas de ouro e prata indicam linhas no corpo do cavalo que serão cortadas o cavalo será dissecado e sua carne será atirada aos devatas com a palavra Svahae outras assadas e distribuídas entre o Rei agora chamado Maharajadhiraja ou Rei entre os reis, e entre outros kshatrias para ser consumida.
O principal sacerdote recebe entre outras doações a filha do rei em casamento e os outros também são regiamente compensados.
Existem poucos relatos guardados de reis que fizeram esta cerimônia na Kali Yuga , alguns conhecidos foram :

Pusyamitra Sunga em 185 AC
Samundragupta Maurya I da dianastia Maurya que mandou cunhar moedas comemorando o evento(foto acima com o cavalo de um lado e a rainha do outro).
Jay Singh II o último a fazer este sacrifício, fundador da cidade de Jaipur em 1716, este rei salvou a deidades de Krishna de Vrindavana da Invasão Islâmica e ate hoje Sri Sri Radha Govindaji estão em seu palácio.
Nas escrituras vários reis e Devas frizeram este sacrifício entre eles Indra , Brahma (que fez 10 na cidade de Varanasi) e Maharaja Yudhistira dos pandavas e Maharaja Dasharatha pai de Sri Ramavhandra.
De acordo com o Brahma Vaivarta Purana o Ashwameda e um dos sacrifícios proibidos na Kali Yuga.
Além do mais hoje não temos mais Devarajas (Reisdivinos) ou brahmanas que sejam capazes de fazer nem de pagar por uma cerimônia deste tipo.
Em outras culturas de raízes indo-européias como iranianos até celtas também faziam rituais de sacrifício de cavalo muito semelhantes aos védicos.

terça-feira, 3 de março de 2009

Muktinath a morada das Shalagramas.

Uma rara Shalagrama Sila branca
Kaligandaki a morada das Silas

a Vila de Mukthinath


O templo de Vishnu








as 108 nascentes do Kaligandaki






Area para rituais védicos e deidade de Ramanujacarya





Sri Murthi de Vishnu , Lakshmi Devi(esq.) e Bhumi Devi (dir.)






Templo do fogo sagrado



Muktinath é um local ultra sagrado para os hindus especialmente os vaishnavas (devotos de Sri Visnhu) fica à 3.710 metros acima do nível do mar no distrito de Mustang no Nepal.
Conhecido como Muksti Ksetra ou “Local da Liberação”, também é sagrado para os budistas tibetanos que chamam o local de Chuming Gyatsa ou “cem águas”, o local é a nascente do rio Kali Gandaki e o que torna o local e o rio sagrados é que lá se encontram as Shalagramas Silas, que são manifestações de Vishnu em forma de pedras geralmente negras que são consideradas não diferentes de Sri Vishnu e não precisam de rituais de consagração para serem adoradas.Além disso tmbém é um local sagrado para Shakti e para as Dakinis.
O local de foco para adoração é o pequeno mais antigo (por sinal um dos mais antigos) templo de Vishnu chamado Muktinath ou “Senhor que dá a liberação” adorado no templo na forma de uma deidade feita de ouro a “Sri Murthi” e Lakshmi é chamada de Sri Devi Thayar, o templo e considerado um dos 108 Divyadesam (moradas divinas) cantadas pelos Alvars (devotos de Visnhu da Sri Sampradaya) e também é citado no Mahabharata.
Ao redor do templo existe uma plataforma chamada prakaram onde estão as 108 nascentes do KaliGandaki em forma de cabeça de Vacas ou “goumukh”, e próximo ao templo de Vishnu existe outro templo de afiliação budista conhecido pelas chamas que saem do solo em meio a água e a Shalagramas Silas.
Sobre as Shalagramas Silas Krishna fala do Bhavisya Purana “Na forma de peuqenas pedras, Eu vivo sempre nas margens do Rio Gandaki, Os milhões de vermes que vivem neste local adornam estas pedras com o símbolo de Meu Chakra, esculpindo com seus pequenos dentes nas pedras”.