segunda-feira, 19 de abril de 2010

Alamkharas e Veshas das deidades.

A adoração à deidade é fundamental a religião e a cultura védicas e dentre todos os rituais um dos mais importantes é o de Alamkara ou adornar a deidade com roupas jóias e flores adequadamente, às vezes as decorações são tão complexas que alteram completamente a forma da deidade para que ela lembre um passatempo ligado à forma divina que ela representa, quando são complexas assim , com adição às vezes de braços ou pernas e até cabeças extras também são conhecidas como Veshas.

O papel das jóias é importante, pois demonstram as opulências tanto materiais quanto espirituais da deidade adorada e atraem a atenção do devoto para Sua beleza transcendental, além de servirem de reserva para as finanças do templo. Na Índia geralmente enquanto mais famosa a deidade mais rica ela é pela doação de jóias por fieis como agradecimento da intervenção da deidade nas suas vidas e os festivais anuais e procissões são datas para que as deidades demonstrem todo seu esplendor e beleza aos seus devotos.

Os ornamentos na Índia e povos de cultura hindu estão longe de ter apenas significados estéticos, são representantes de um grande vocabulário simbólico que transmite inúmeros recados entre o usuário e o observador, além disso, também servem como proteção por isso também são chamados kavachas ou escudos, nenhuma cultura tem uma história de adornos e estilos tão antiga e ainda em uso quando a Índia.

Agora voltando às deidades, as jóias e as roupas não são escolhidas ao acaso, dependem da temperatura, estação do ano, ciclo de festivais e dias da semana para definição de cores, geralmente usa-se a cor do planeta regente do dia para vestira a deidade, como branco ou prata para Soma (Lua) as segundas-feiras, Negro ou azul escuro para Sani (Saturno) aos sábados.

As fotos abaixo são de uma famosa e poderosa deidade de Krishna em Udupi, “quartel general” da Madhwa sampradaya , esta deidade era adorada em Dwaraka e depois foi instalada pelo próprio Madhwacarya em Udupi onde é adorada até hoje (ver postagem sobre Udupi).






















terça-feira, 13 de abril de 2010

Altar 05 Ananda Vrindavana


Altar de minha amiga Ananda Vrindavana Com sua Sila, Jagannatha Baladeva e Subradra, Sri Sri Radha Krishna, Sri Sri Goura Nitay e Hanumanji.



Respondendo a pergunta

O Thiago me perguntou sobre entradas de ocidentais em templos na India e no Nepal, com certificado do Arya Samaj. No sul o certificado pode ser adquirido no templo de Krishna chamado Parthasarathi em Chennay, Tamil Nadu. Até onde sei no meu caso como devoto da ISKCON tenho acesso a todos os templos fora o Sri Jagannatha Mandir em Puri, mas no sul é obrigatorio o uso de roupas devocionais (dothi, sari) e tilaka, alguns templos como o Meenakshi de Madurai deixa ocidentais entrarem mas não na sala onde esta deidae principal (o que adianta né), no Nepal até onde sei so um templo tântrico não permite a entrada de ocidentais, mas também proibem o nepaleses que não são do culto.

terça-feira, 30 de março de 2010

Hanuman Jayanti















Hoje 30/03/2010 é comemorado o Hanuman jayanti ou o nascimento de Sri Hanumanji, é uma festa comemorada por todos os hindus, pois Hanuman é símbolo de força e, sobretudo devoção, por ele ser o maior devoto do Senhor Rama.

Muita gente não sabe mais ri Hanumanji é uma manifestação do Senhor Shiva e filho de Anjana, uma apsara (dançarina celestial) amaldiçoada a nascer como uma macaca da rça Vanara e de Kesari , outro vanara. Ela seria libertada da maldição por ter um filho que seria a encarnação do Senhor Shiva, assim sendo ele é dotado de imensos poderes como imensa força e devoção inabalável no Senhor Hari.

Hanuman nasceu num local hoje conhecido como Aanjan a 18 Km de Gumla no estado de Jharkand vizinho a Bihar.

Hanuman tem vários nomes o principal Hanuman significa “queixo quebrado” e refere-se a uma historia de que Hanuma quando criança confundiu o sol poente entre as arvores com uma manga e sem ter noção de seus poderes voou até o sol e ficou imenso engolindo o mesmo, Indra que tentando livrar Surya (o Sol) da boca de Hanuman tentou persuadi-lo a soltar o sol, mas a criança se negava e então perdendo a paciência Indra golpeou Hanuman fazendo com que este caísse e quebrasse o queixo soltando assim o Sol.

Outro nome é Anjaneya ou “Nascido de Anjana” sua mãe, Mahavira o “Grande Herói”.

Hanuma tem inúmeros passatempos mais os mais conhecidos estão no Ramayana onde após encontrar o Senhor Rama e lhe jurar eterna devoção, Hanuman O ajuda a encontrar e resgatar Sita das garras do demônio Ravana.

Muitas pessoas me perguntam por que as deidades de Hanuma são cobertas com sindhur açafrão e ghee, dando-lhes uma cor entre vermelhas e alaranjadas, a história é a seguinte:

Hanuman ao se encontrar com Sita foi abençoada por Ela que com Sua mão marcou a testa de Hanuman com Sinhur( pó Vermelho) e Hanuman perguntou o porque daquilo ao que Sita respondeu que aquela marca daria força para proteger o Senhor Rama ao ouvir isso Hanuman cobre todo seu corpo com sindhur afim de tornar o Senhor Rama imortal.

Outro passatempo interessante é de como Hanuman manifestou a forma de Panchamukha Hanuman (Hanuman de Cinco Cabeças) Rama e Lakshmana haviam sido seqüestrados por dois demônios de Patala (Inferno) chamados Mahiravana e Ahiravana que pretendia sacrificá-los a sua deidade, Hanuman foi resgatam a ambos os irmão e ao chegar a Patala após muitas aventuras descobriu que para matar os demônios teria que apagar cinco lamparinas simultaneamente, que ardiam com imenso poder e de onde vinha a força do demônio, Hanuman então orou a Nrsimhadeva, Garuda, Hayagriva e Vahara e a shakti destas deidades se manifestaram em Hanuman que ficou com cinco cabeças uma pertencente a cada umas das deidades citadas acima alem da dele própria e assim apagou as lamparinas matando os demônios tornando se o Senhor de Patala e temido por todos os demônios motivo pelo qual ate hoje Hanuma é a deidade invocada contra fantasmas demônios e em exorcismos.

O Senhor Rama deu uma benção a Hanuman e este desejou que queria ficar na Terra enquanto o nome de Rama fosse lembrado Sita e Rama concordaram e mandaram que fossem feitas imagens de Hanuman que deviam ser espalhadas por todos os locais para que sempre estivesse a ouvir o Santo Nome de Rama. Assim Hanuman se tornou um dos imortais que estão no planeta até hoje, Hanuma já voi fisto por Krishna , Balarama e outros mais recentes como Madhvacarya (séc. XIII), Tulsidas (séc, XVI), Sri Ramdas Swami(séc. XVII), Ragavendra Swami (séc.XVII) entre outros.

यत्र यत्र रघुनाथ कीर्तनम् तत्र तत्र क्रित मस्तक अन्जलिं बष्पावरी परीपूर्ण लोचनम् मारुतिं नमश्च राक्षस अंतकम्।

Onde quer que os feitos de Sri Rama sejam cantados,

Em todos estes lugares Hanuman canta com lágrimas de devoção e alegria,

Em todos estes lugares ele (Hanuman) e sua presença retira o medo de demônios.

Hanuman é imensamente adorado por todas as variantes da cultura védica vaishnavas e shaivas, e em vários locais suas deidades são instaladas como proteção para aldeias palácios e templos além de estradas, pois ele protege as pessoas contra acidentes (quem já foi na Índia imagina o porquê).Hanuman além de estar em templos de Shiva e Vishnu tem inúmeros templos dedicados primeiramente a sua pessoa além de deidaes espalhads por todos os locais ums das mais recentes é um enorme Panchamukha Hanuman próximo a Tiruvallur em Tamil Nadu.

Há como no Ramayana Hanuman salva Shani (Saturno) das garras de Ravana , Shani livra então o que adoram Hanuman de influencias negativas trazidas por seu planeta.

Hanuman além das terras hindus (Cambodia, Tailândia e Indonésia) é conhecido também no Japão e na China onde se chama Sun Wukong.

JAY SRI HANUMAN !!!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Feliz Ramanavami!!!!



Hoje comemoramos o aparecimento do Senhor Rama uma encarnação do Senhor Supremo como rei, esposo e homen perfeito, cuja historia, o Ramayana, é uma das principais literaturas da cultura védica e famosa em todo o mundo principalmente no sul e sudeste da Asia onde faz parte da vida cortidiana dos habitantes.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Foto do dia. Crânio em templo na Bengala

Em alguns templos Aghoras na Bengala , localizados próximos a campos de cremação, são expostos crânios humanos como os da foto ajudam a lembrar da impermanencia do mundo e da sempre proxima morte, algusn são ornados e recebem oferendas como manifestações de Kala Bhairava ( o Senhor Shiva como o Tempo), para quem achar no mínimo stranho lembremse que cranios podem ser vistos tanto em Igrejas na Italia , no aeroporto Internacional no Camboja e no Brasil era comum durante periodos históricos mostrrem cadáveres na entrada de Igrejas afim de lembrar aos fiés que "TUDO ACABA".

segunda-feira, 15 de março de 2010

Manasa Devi






















Manasa é a deusa das serpentes, adorada principalmente na Bengala e Bihar, ela é considerada protetora contra picadas de serpentes e também a que traz prosperidade e fertilidade (também trazidas pelas serpentes).

Manasa é considerada irmã de Vasuki e filha do sábio Kashyapa e de sua esposa Kradu (também irmã de Garuda) e é esposa do sábio Jagatkaru, ela é representada como uma bela mulher com varias serpentes e com capelos de serpentes por sobre a cabeça as vezes aparece com seu filho, chamado Astika, sobre seu colo.


No Mahabharata aparece a narração de seu casamento com o sábio Jagatkaru e o nascimento de seu filho que ajudou a salvar as nagas da morte no sacrifício do rei Janamejaya que para vingar a morte de seu pai Maharaja Parinkchit queria matar todas as nagas (serpentes) no fogo sacrifical, ela também é citada em alguns Puranas.

Além de sua forma como murthi (imagem esculpida) ela é adorada como potes sagrados (kumbha) raízes de arvore ou serpentes de argila, na Bengala existem vários templos em honra a ela e o dia principal para seu culto é o Nagpachami entre Julho e Agosto.

Altar 04 de Damodara Lila

Altar de Damodara Lila com Sri Sri Sri Jagannatha Baladeva e Subhadra, Srila prabhupada e a foto do Guru dela Srila Virabahu Das

Altar 03 Gourasundara e Radha Damodara

Altar pertencente a dois amigos que hoje moram no sul, com Sri Sri Radha Krishna, Jagannatha , Baladeva e Subhadra, Goura Nitay além de Srila Prabhupada e um quadro de Panchamukha Hanuman.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Poema sobre vida e morte.


Um poema extraido do Mahabharata acerca a vida e amorte que eu gosto muito.


" Dois pedaços de madeira que flutuam no oceano
encontram-se e se separam no instante seguinte.
Assim também tu e tua mãe, tu e teu irmão, tu e
tua mulher, teu filho e tu.
Chamas teu pai, tua mulher,teu amigo,
mas não é mais que um encontro no caminho.
Este mundo é uma roda que gira,
uma passagem no grande oceano do tempo,
onde nadam dois tubarões:a velhice e a morte.
Nada é permanente, nem teu corpo.
Nada retorna e nada permanece.
Prazer, dor, o destino tudo estabelece.
O que desejas,tens.
O que não desejas, tens.
Ninguém entende porque.
Nada garante a felicidade do homem.
Onde estou? Para onde irei? Quem sou? Porque?
E porque deveria chorar?"
Na imagem Yamaraja o senhor da morte aparece como uma criança num campo de batalha para consolar as rainhas de um rei morto sobre a natureza da morte do Bhagavata Purana

Desculpas


Venho pedir desculpas por ter deixado o blog um pouco de lado, não foi por mal é que começei o curso de História na Universidade de São Paulo e o tempo ficou um pouco escarço, mas volterei a publicar assim que possível!!!


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

FELIZ MAHASHIVARATRI!!!!!!!!!!!!




















Hoje é comemorado a grande noite de Shiva, a noite do Senhor dos mil nomes e formas auspiciosas,
Senhor de Parvati;

Senhor de Kailasha;

Aquele que carrega o Ganga (Ganges);

Aquele que carrega o tridente;

O Rei da dança;

O Senhor branco como Jasmim;

Aquele que destrói os demônios;

Aquele que carrega o damaru;

O Belo Senhor;

Aquele que é meio mulher;

O eterno Auspicioso;

Senhor dos fantasmas;

Senhor das serpentes.

TODAS AS GLÒRIAS DO SENHOR SHIVA QUE ME TROUXE UMA GRANDE ALEGRIA NO SEU DIA!!!

OM NAMAH SIVAYA














terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Foto do dia. Hanuman e Ganesha juntos.

A índia é a terra que une os opostos, pobreza e riqueza, hindus e muçulmanos,feio e bonito, homenm e mulher (Ardhaniswara), Vishnu e Shiva (Harihara)e ai um menos conhecido Hanumanji e Ganeshaji na mesma deidade.

Os Purusaarthas

Na cultura védica os purusaarthas ou “propósitos humanos” são em número de quatro e definem os ideais relativos aos seres humanos civilizados.

Assim como as quatro varnas (castas): brahmana, kshatria, vaisya e sudra , e os quatro ashramas: brahmacari, ghrasta , vanaprasta e sannyasi. (sempre em quatro como os Vedas: Rg , Sama, Atharva e Yajur e as estações do ano e as eras temporais: Satya, Tetra, Dwapara e Kali , estes grupos de quatro são representados pelo símbolo máximo da cultura védica a suástica) os ideais da vida humana seguem um ideal que deve ser seguido por todos os seres humanos.
Os purisaarthas são os seguintes:


Dharma = poderia ser traduzido como virtude, moral, agir certo, ética, não violência (ahinsa) e verdade (satya), que o homem deve desenvolver a fim de atingir os outros princípios humanos, ver postagem sobre Dharma.


Artha = pode ser traduzido como “glória, riqueza, prosperidade” é o desenvolvimento econômico e social que os humanos precisam para vivem com felicidade na Terra.




Kama = traduzido como “prazer, desejo, vontade” são os prazeres da vida experimentados pelos sentidos, um boa comida, boa música, prazer sexual, boa companhia etc. que devem ser conseguidos através de artha e com observação dos princípios de dharma (virtude, o que não significa ser um monge recluso com medo do inferno).



Moksha = ou a libertação do ciclo de nascimentos e mortes (samsara), deve ser o objetivo e a meta máxima da vida humana, pois um pessoa ponderada mesmo após uma ótima vida de prazeres e seguindo os passos da virtude notará que este mundo não é seu local e a morte chega para leva-lo seja dos prazeres seja das observações de regras e regelações, assim ela busca a meta ultima, Moksha.
Todos os purusaarthas devem ser experimentados pelos seres humanos, pois, a pessoa deve se elevar gradualmente até o nível de não necessitar ou se identificar com aspectos culturais e sociais materiais e assim atingir a meta ultima da vida humana.